Política
Publicado em 16/02/2026, às 06h30 Malu Machado
A escola de samba Acadêmicos de Niterói fez uma apresentação polêmica no Carnaval, homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que gerou intensos debates políticos e sociais sobre o uso do evento para fins eleitorais.
O samba-enredo destacou a trajetória de Lula, incluindo referências ao Partido dos Trabalhadores e à sua família, além de uma alegoria que aludia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, provocando reações adversas de opositores e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A apresentação levou a acusações de propaganda eleitoral antecipada, resultando em uma investigação judicial sobre a legalidade do uso de recursos públicos, com o governo federal destinando R$ 12 milhões para as escolas de samba, incluindo R$ 1 milhão para a Acadêmicos de Niterói.
A escola de samba Acadêmicos de Niterói, primeira agremiação do Grupo Especial a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo (15), realizou uma apresentação regada a polêmicas ao homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com o samba-enredo intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola buscou traçar um perfil biográfico e político do presidente, destacando sua trajetória iniciada no ano de 1952. O desfile, no entanto, provocou intensos debates devido ao teor de suas alegorias e à repercussão entre diferentes lados políticos.
A letra do samba-enredo apresentou referências explícitas ao universo do Partido dos Trabalhadores (PT) e à vida pessoal do chefe do Executivo. Um dos trechos reproduziu o grito de guerra clássico utilizado pela militância política: “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Além disso, o número de urna da legenda foi mencionado em duas passagens distintas da composição. O texto também incluiu citações à primeira-dama, Rosângela Lula da Silva (Janja), e fez alusão ao filme “Ainda Estou Aqui”.
A narrativa musical utilizou a figura de Eurídice Ferreira de Mello, a Dona Lindu, mãe de Lula, para descrever a migração da família. O texto descreve a viagem de "13 noites e 13 dias" (referência ao número do partido) realizada por ela e seus oito filhos em um caminhão pau-de-arara, partindo de Garanhuns, no interior de Pernambuco, com destino à periferia de Guarujá, no litoral de São Paulo.
O presidente Lula assistiu ao desfile em sua homenagem diretamente do camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e chegou a descer para a avenida para acompanhar a passagem da escola. O ator e humorista Paulo Vieira foi o responsável por personificar o presidente durante a apresentação.
Um fato que gerou comentários foi a ausência de Janja no desfile; embora fosse aguardada como destaque no último carro alegórico, ela não desfilou. Segundo pessoas que acompanhavam a comitiva, a primeira-dama chegou a passar pela Sapucaí, mas retornou ao camarote pouco depois. Em seu lugar na alegoria, entrou a cantora Fafá de Belém.
Outro ponto das polêmicas do desfile foi a presença de uma alegoria com alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na representação, uma figura de palhaço com feições que remetiam ao ex-mandatário aparecia dentro de uma estrutura simulando uma prisão.
A personagem vestia trajes listrados, comumente utilizados para representar presidiários na dramaturgia, e exibia uma expressão triste e espantada. O palhaço também utilizava uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação, remetendo ao episódio de novembro do ano passado, quando a prisão domiciliar do ex-presidente foi revogada após descumprimento de medidas.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu à maneira como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi retratado pela escola. Em suas redes sociais, ela argumentou
Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”.
A participação de Lula e o teor das alegorias geraram forte repercussão entre políticos de oposição. Parlamentares de direita acusaram o presidente de utilizar o Carnaval para fazer propaganda eleitoral antecipada e promover sua imagem pessoal com recursos públicos. Em cosequência, a Justiça foi acionada para apurar a legalidade da conduta durante o evento.
Em termos financeiros, o Governo Federal destinou, neste ano, um total de R$ 12 milhões em verba pública para as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Dentro desse montante, a Acadêmicos de Niterói deve receber R$ 1 milhão referente à sua participação oficial no desfile.
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