Política
Publicado em 16/02/2026, às 08h40 Malu Machado
A escola de samba Acadêmicos de Niterói desfilou no Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo que celebra a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando polêmica sobre a possibilidade de propaganda eleitoral antecipada em ano de eleição.
Diversas ações judiciais foram movidas para impedir a apresentação, mas foram rejeitadas pelos tribunais, que defenderam a liberdade de expressão artística e não reconheceram abuso de poder político.
Apesar das tentativas de bloqueio e recomendações do Tribunal de Contas da União sobre o uso de verbas públicas, a escola manteve seu desfile conforme programado, marcando sua presença no Grupo Especial do carnaval carioca.
No calendário oficial do Carnaval do Rio de Janeiro, a escola de samba Acadêmicos de Niterói desfilou, na noite deste domingo (15) no Grupo Especial em 2026 com um enredo que narra a trajetória de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a infância no Nordeste até a Presidência da República, sob o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Antes mesmo da apresentação na Marquês de Sapucaí, diversas iniciativas judiciais foram registradas com o objetivo de impedir que o desfile acontecesse nas condições planejadas. Entre os pedidos, havia ações populares que questionavam a utilização de referências à figura do presidente no contexto do evento quando ainda não havia início oficial da campanha eleitoral de 2026.
Esses processos foram apresentados sob a argumentação de que o enredo poderia configurar propaganda eleitoral antecipada por exaltar uma autoridade pública em ano de eleição. Uma das ações, movida por cidadãos da esfera pública, solicitou inclusive que símbolos, nomes ou imagens relacionados ao presidente fossem proibidos no desfile, indicando a possibilidade de multa caso a determinação não fosse cumprida.
No entanto, essas iniciativas foram extintas ou rejeitadas sem que o mérito da questão fosse analisado, com fundamentação em aspectos processuais ou na avaliação de que a medida previa poderia ferir a liberdade de expressão artística.
Os debates judiciais se estenderam além do campo eleitoral. Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) chegaram a recomendar a suspensão cautelar do repasse de recursos públicos à escola, apontando possíveis indícios de desvio de finalidade no uso de verbas federais destinadas ao carnaval carioca. Essa recomendação teve como foco a avaliação sobre a impessoalidade e moralidade administrativa na destinação de recursos em um ano eleitoral.
Por fim, apesar das tentativas de barrar ou limitar o enredo, a Acadêmicos de Niterói manteve sua apresentação conforme programado no Sambódromo, abrindo oficialmente os desfiles do Grupo Especial. A escola, que integra a elite do carnaval carioca desde 2023, cumpriu sua participação com o enredo que mistura narrativa histórica e artística.
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