Política
Os Estados Unidos revogaram mais de 100 mil vistos no primeiro ano do governo Trump, um número recorde que mais que dobra o total do último ano da administração Biden, refletindo uma política de endurecimento nas regras migratórias.
As revogações foram motivadas principalmente por crimes cometidos pelos portadores, incluindo agressões e direção sob efeito de álcool, com cerca de 8 mil vistos de estudantes afetados, especialmente aqueles envolvidos em protestos contra Israel.
O governo Trump intensificou o controle sobre vistos, incluindo uma análise mais rigorosa das redes sociais dos solicitantes, e implementou uma campanha de deportações em massa, resultando em mais de 605 mil deportações em um mês e um aumento no número de agentes federais para fiscalização.
Os Estados Unidos revogaram mais de 100 mil vistos no primeiro ano após o retorno de Donald Trump à Presidência, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (12) pelo Departamento de Estado norte-americano. O número é considerado recorde e representa mais do que o dobro do total registrado em 2024, último ano da gestão do democrata Joe Biden.
De acordo com o governo, as revogações ocorreram principalmente por envolvimento dos portadores em crimes, como agressão física e condução de veículos sob efeito de álcool.
Em nota, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que a política adotada reflete as prioridades da atual administração.
“A administração Trump não tem prioridade maior do que proteger os cidadãos americanos e defender a soberania dos Estados Unidos”, declarou.
Desde a segunda posse de Trump, em 20 de janeiro de 2025, o número de vistos anulados é duas vezes e meia maior do que o contabilizado no ano anterior.
O endurecimento das regras migratórias já havia sido sinalizado durante a campanha eleitoral, quando o presidente voltou a adotar um discurso rígido contra a imigração ilegal e prometeu ampliar as deportações.
Estudantes e protestos entram no foco
Entre os vistos revogados, cerca de 8 mil pertenciam a estudantes estrangeiros. O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou que parte das anulações atingiu estudantes envolvidos em protestos contra Israel.
Para justificar as medidas, Rubio recorreu a uma legislação da era McCarthy, que autoriza barrar ou expulsar estrangeiros considerados contrários à política externa dos Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Estado, alguns dos estudantes afetados conseguiram recorrer à Justiça e suspender temporariamente as ordens de deportação. Ainda assim, o governo manteve a diretriz de ampliar o controle sobre vistos concedidos a estrangeiros, especialmente em ambientes universitários.
Além das revogações, os critérios para a concessão de novos vistos também foram endurecidos. Entre as mudanças, está a análise mais rigorosa de publicações em redes sociais dos solicitantes, prática que voltou a ganhar força na atual gestão.
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Campanha de deportações em massa
As medidas fazem parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra a imigração. Dados do Departamento de Segurança Interna indicam que, apenas no último mês, mais de 605 mil pessoas foram deportadas. Outras 2,5 milhões deixaram o país de forma voluntária no mesmo período.
O governo também ampliou o número de agentes federais envolvidos nas ações de fiscalização e deportação, reforçando o compromisso da atual administração com o controle rigoroso das fronteiras e da permanência de estrangeiros em território norte-americano.
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