A possibilidade de uma delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro ganhou força nos bastidores após uma reunião entre seu novo advogado, José Luis Oliveira Lima, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O magistrado é o relator do chamado caso Master e acompanha diretamente o andamento das investigações.
O encontro teve como objetivo discutir a viabilidade de um acordo de colaboração premiada envolvendo o empresário. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das apurações e à ampliação do conjunto de provas reunidas pelas autoridades.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o cenário ainda é indefinido, mas com múltiplas frentes de negociação em andamento, o desfecho pode depender da estratégia adotada pela defesa e da receptividade dos órgãos envolvidos.
Mudança na defesa altera estratégia
A reconfiguração da equipe jurídica de Vorcaro é apontada como fator decisivo para a nova movimentação. Na semana anterior, os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval deixaram o caso, abrindo espaço para uma abordagem diferente na condução da defesa.
Conhecido como Juca, José Luis Oliveira Lima tem experiência em acordos de colaboração premiada, tendo atuado em negociações relevantes, como a do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, no contexto da Operação Lava Jato.
A entrada do novo advogado sinaliza uma possível mudança de rumo, com maior abertura para negociações que possam reduzir eventuais penalidades ao cliente.
Disputa entre órgãos influencia negociações
Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República já vinha discutindo um possível acordo com a defesa do banqueiro, embora as tratativas ainda estivessem em estágio inicial.
Apesar disso, fontes ligadas às investigações indicam que a Polícia Federal pode assumir protagonismo nas negociações, impulsionada pelo volume de provas coletadas durante as três fases da operação Compliance Zero.
Entre os materiais reunidos estão documentos e dispositivos eletrônicos que seguem sob análise, o que pode aumentar a pressão por uma colaboração formal.
Tensão institucional entra no radar
Outro elemento que impacta o caso é o desgaste na relação entre André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A tensão teria se intensificado após a decisão da Procuradoria de não endossar a prisão de Vorcaro.
Esse atrito institucional pode influenciar diretamente os rumos das negociações e a condução do processo no Supremo.
Diante desse cenário, marcado por disputas internas, mudança na defesa e avanço das provas, a definição sobre uma eventual delação premiada segue em aberto e cercada de incertezas.