Parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Norte cobraram, nesta terça-feira (23) um posicionamento formal do vice-governador Walter Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sobre o cenário eleitoral de 2026.
A reação ocorre após o próprio vice admitir publicamente a possibilidade de não assumir o governo com a renúncia esperada da governadora Fátima Bezerra, do PT, e até de disputar outro cargo.
As declarações de Walter, feitas no último fim de semana, também abriram espaço para especulações sobre uma eventual candidatura a deputado estadual e o apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil, adversário político do PT.
O movimento acendeu o alerta entre lideranças petistas, que veem risco real de ruptura na aliança firmada com o MDB para a sucessão estadual.
Em entrevista ao AGORA RN, o deputado estadual Francisco do PT, líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), e a deputada federal Natália Bonavides, também do PT, afirmaram que a indefinição prolongada compromete acordos políticos já estabelecidos.
Pressão por clareza e respeito aos acordos
Francisco foi direto ao afirmar que o tempo da indefinição acabou. Segundo ele, o PT já definiu sua estratégia eleitoral em entendimento prévio com o MDB, o que inclui os nomes de Cadu Xavier para o governo e Fátima Bezerra para o Senado.
O parlamentar ressaltou que essas decisões não surgiram de forma isolada, mas foram fruto de diálogos políticos envolvendo interlocutores do governo e lideranças aliadas. Para Francisco, enquanto não houver comunicação oficial em sentido contrário, o que deve prevalecer é o compromisso assumido.
Ele também citou manifestações públicas do ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho, presidente de honra do MDB, que teria declarado apoio à chapa petista durante evento realizado em setembro, na presença de lideranças nacionais do PT, como a ministra Gleisi Hoffmann.
Declarações indiretas e risco de rompimento
O líder do governo na ALRN criticou informações divulgadas de forma indireta, como as falas do deputado federal João Maia, do Partido Progressistas (PP), que afirmou que Walter Alves não assumirá o governo e já teria fechado apoio a outro projeto político.
Para Francisco, acordos políticos não podem ser relativizados por declarações de terceiros.
Ele também afirmou que qualquer apoio fora da chapa formada por Cadu Xavier e Fátima Bezerra representaria, na prática, um rompimento com a aliança construída. Segundo o deputado, não há espaço para composições parciais dentro do projeto defendido pelo PT.
Francisco ainda questionou o argumento de que Walter precisaria ouvir as bases do MDB, lembrando que o partido já ocupa espaços estratégicos no governo estadual, fruto de negociações políticas anteriores.
Expectativa de diálogo e cobrança final
Apesar do tom crítico, o deputado afirmou que há expectativa de diálogo entre o vice-governador e a governadora Fátima Bezerra. Segundo ele, a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Samanda Alves, já iniciou conversas e a avaliação interna é de que o encontro deve acontecer.
Mesmo assim, Francisco deixou claro seu posicionamento pessoal. Para ele, o vice-governador precisa, com urgência, expor de forma transparente qual será sua postura nas eleições de 2026 e encerrar o ciclo de especulações.
Na avaliação do parlamentar, a política exige clareza e cumprimento da palavra dada, especialmente em alianças construídas ao longo de anos.
Natália reforça cobrança e cita projeto nacional
A deputada federal Natália Bonavides também afirmou que, até o momento, não existe definição concreta por parte de Walter Alves. Para ela, o silêncio apenas alimenta rumores e fragiliza a construção política em curso no estado.
Natália disse esperar que o vice-governador se posicione de forma clara e honre os compromissos firmados com a governadora Fátima Bezerra, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, destacando que a aliança tem dimensão estadual e nacional.
Segundo a deputada, o PT já possui um projeto definido para o Brasil e para o Rio Grande do Norte, voltado ao desenvolvimento, à valorização da classe trabalhadora, às liberdades democráticas e à soberania nacional. No estado, esse projeto se materializa nas pré-candidaturas de Fátima ao Senado e de Cadu Xavier ao governo.
Bancadas e unidade como prioridade
Além da disputa majoritária, Natália ressaltou que o partido também trabalha para ampliar suas bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Para ela, a definição clara das alianças é essencial para garantir coesão política e fortalecer o projeto defendido pelo Partido dos Trabalhadores.
A deputada concluiu afirmando que a clareza nas posições políticas é decisiva para evitar desgastes e assegurar a continuidade da aliança construída ao longo dos últimos anos no estado.