Política
A governadora Fátima Bezerra pode renunciar para concorrer ao Senado em 2026, o que geraria a necessidade de uma eleição indireta para um mandato-tampão no Rio Grande do Norte, caso ocorra uma dupla vacância com a recusa do vice-governador Walter Alves em assumir.
A oposição busca um gestor técnico e sem pretensões eleitorais para liderar o estado temporariamente, com nomes como Roberto Serquiz e Zeca Melo sendo considerados, enquanto o PT já definiu Cadu Xavier como seu candidato para o eventual mandato-tampão e para 2026.
As discussões sobre a eleição indireta dependem da decisão de Fátima Bezerra sobre sua renúncia e da disposição de Walter Alves em assumir o cargo, com a situação atual indicando que a continuidade do governo pode ser mantida se ambos decidirem permanecer em seus postos.
A possibilidade de renúncia da governadora Fátima Bezerra para disputar o Senado em 2026 recolocou a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte no centro de um debate jurídico e político sensível: a eventual realização de uma eleição indireta para um mandato-tampão até dezembro.
O tema dominou os bastidores na reabertura do ano legislativo. Embora ainda não exista qualquer vacância formal, deputados já discutem regras, cenários e, principalmente, nomes.
A condição para existir eleição indireta
O presidente da Casa, Ezequiel Ferreira, tratou de colocar freio nas especulações.
“A eleição indireta só existe se houver vacância. Não houve vacância. Nem ninguém tem a certeza que haverá”.
Pela linha sucessória, quem assume é o vice-governador Walter Alves. Se ele tomar posse, o assunto morre. No entanto, o próprio Walter já declarou publicamente que não pretende exercer o mandato, rompendo politicamente com o governo do PT.
Só haveria eleição indireta se se configurasse a chamada dupla vacância: saída da governadora e recusa do vice.
Ezequiel revelou que a Assembleia já estuda o regramento:
Durante o mês de janeiro, eu já me debrucei sobre esse assunto com a nossa procuradoria. Isso será feito um projeto de lei que será encaminhado para o governo. O governo sanciona esse projeto e aí tem as diretrizes desta eleição, se isso vier a acontecer”.
Segundo ele, a votação seria aberta, em plenário, com os 24 deputados.
Poderia ser candidato qualquer cidadão:
• Filiado a partido
• Com mais de 35 anos
• De conduta ilibada
• Em chapa com governador e vice
O ponto central: quem a oposição quer no mandato-tampão
Enquanto o governismo trabalha a continuidade partidária, a oposição constrói uma narrativa completamente diferente: o RN precisaria de um gestor técnico, sem pretensões eleitorais, para “arrumar a casa”.
O deputado Tomba Farias foi explícito:
A unanimidade dentro do partido é que seja uma pessoa de consenso, que seja um técnico, uma pessoa de credibilidade para tomar as mudanças. A política não funciona para tomar medidas amargas, porque quem é político pensa na eleição”.
E, pela primeira vez de forma pública, nomes começaram a surgir.
Os nomes citados pela oposição
Segundo Tomba, duas figuras são vistas como referências para esse perfil:
Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte
Zeca Melo, superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN
“Um pessoal que tenha responsabilidade com as medidas que sejam necessárias”.
O recado é claro: a direita não quer um político no comando nesse período, mas alguém com perfil de gestão, mercado e ajuste fiscal.
O PT fecha questão em um nome
Do lado governista, não há qualquer dúvida ou abertura para essa tese. O partido já tem nome definido tanto para um eventual mandato-tampão quanto para a disputa regular de 2026.
Trata-se do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier.
O deputado Francisco do PT foi direto:
“Nós temos um nome apresentado, que é o do nosso companheiro Cadu Xavier, tanto para o mandato-tampão, evidentemente se houver eleição, como também para uma candidatura a governador em 2026”.
O próprio Cadu, presente na solenidade, reforçou a tese da continuidade:
“A gente não abre mão de um nome que seja do nosso partido. Seria natural que o nome do Partido dos Trabalhadores encerrasse o mandato que o povo concedeu nas eleições”.
O cenário que decide tudo
Apesar das articulações, todos os lados reconhecem que a chave está exclusivamente nas mãos de dois personagens:
• Fátima Bezerra decide se renuncia
• Walter Alves decide se assume ou não
Como resumiu Tomba Farias:
“Se a governadora ficar, acaba o problema. Se ela sair e Walter assumir, também está extinto. Só haverá eleição indireta se Walter não assumir. A verdade é que tudo vai girar em torno disso”.
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