A presidente interina da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um discurso neste domingo (25) em que criticou duramente a interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos venezuelanos e afirmou que o país não aceitará “ordens de Washington”, em evento com trabalhadores do setor petrolífero na cidade de Puerto La Cruz, no estado de Anzoátegui.
Durante a fala transmitida por veículos estatais, Rodríguez defendeu que as divergências políticas e os conflitos internos sejam resolvidos pelo próprio país, sem imposições estrangeiras.
A líder venezuelana também afirmou que é preciso abrir espaço para a divergência democrática dentro da política venezuelana e rejeitou a atuação de potências estrangeiras na condução dos destinos políticos da Venezuela.
Soberania e críticas a pressões externas
Segundo Delcy Rodríguez, já “basta de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela”, e as decisões sobre disputas e conflitos devem ser tomadas no âmbito interno, por meio da política venezuelana.
A presidente interina afirmou que a República pagou “muito caro” pelas consequências de pressões externas, referência ao histórico de tensões com os Estados Unidos e à recente intensificação da pressão diplomática após eventos políticos envolvendo o ex-presidente Nicolás Maduro.
Rodríguez reforçou ainda o apelo à autonomia venezuelana, defendendo que a política local seja o principal instrumento para resolver as diferenças, em um momento marcado por forte repercussão internacional sobre a situação política no país.
Contexto de tensões com os EUA
O discurso ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre Caracas e Washington, intensificado por ações recentes envolvendo a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, que geraram forte repercussão na política venezuelana e na relação bilateral entre os dois países.
Em declarações em eventos anteriores, Rodríguez tem enfatizado a importância de resolver disputas por meio de diálogo e diplomacia, ao mesmo tempo em que rejeita interferências externas e defende a soberania da Venezuela sobre seus próprios assuntos.
Analistas apontam que a postura de Rodriguez reflete a tentativa de reafirmar autoridade interna e enviar um sinal claro sobre a posição venezuelana em relação à influência de potências estrangeiras no processo político do país.