Política

Prazo encerrado coloca processo de Bolsonaro em nova etapa no STF; saiba o que pode acontecer agora

A condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado pode levar à sua prisão, dependendo das próximas decisões do STF. - Imagem gerada por IA
Com prazo encerrado para embargos, o STF pode declarar trânsito em julgado e iniciar a execução da pena de 27 anos e 3 meses  |   BNews RN - Divulgação A condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado pode levar à sua prisão, dependendo das próximas decisões do STF. - Imagem gerada por IA
Dani Oliveira

por Dani Oliveira

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Publicado em 25/11/2025, às 07h31



O ex-presidente Jair Bolsonaro não apresentou embargos de declaração, permitindo que o ministro Alexandre de Moraes avance no processo que pode resultar no cumprimento de sua pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A condenação de Bolsonaro, que liderou uma organização criminosa para impedir a posse do presidente Lula, foi decidida com base em evidências de articulação contra o Estado Democrático de Direito, e a pena imposta prevê regime fechado.

Com o fim do prazo para recursos e sem manifestação da defesa, Moraes pode declarar o trânsito em julgado e iniciar a execução das penas, enquanto Bolsonaro permanece detido em prisão preventiva por violação de monitoramento eletrônico e risco de fuga.

Resumo gerado por IA

O processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado entrou em uma nova fase decisiva. O ex-chefe do Executivo optou por não apresentar os segundos embargos de declaração, recurso que poderia questionar pontos formais da decisão, e deixou o prazo expirar nesta segunda-feira (24).

A decisão abre caminho para que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), avance nos procedimentos que podem encerrar a fase recursal e determinar o início do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de prisão, aplicada em setembro pela Primeira Turma da Corte.

Ministros que formam a primeira corte do Supremo Tribunal Federal. Imagem reprodução internet.
Ministros que formam a primeira corte do Supremo Tribunal Federal. Imagem reprodução internet.

Por que os embargos eram relevantes — e por que não mudariam o resultado

Os embargos de declaração servem para pedir esclarecimentos sobre omissões, contradições ou pontos obscuros da decisão. Eles não alteram penas, tampouco revertem condenações.

Sem a manifestação da defesa, o processo segue para a etapa final, na qual o relator pode declarar o trânsito em julgado — o que encerra a possibilidade de novos recursos.

A condenação e o que falta para a prisão ser executada

Bolsonaro foi condenado por liderar uma organização criminosa destinada a impedir a posse do presidente Lula e subverter o Estado Democrático de Direito.

A pena imposta prevê regime inicial fechado.

Para que a execução comece, faltam três movimentos:

• Análise dos recursos pendentes dos demais réus.

• Decisão de Moraes sobre a admissibilidade de eventuais embargos infringentes.

• Declaração de trânsito em julgado, que transforma a decisão em definitiva.

• Embargos infringentes: possibilidade remota

As defesas ainda podem apresentar embargos infringentes até o fim da semana. Esse tipo de recurso pode modificar penas ou absolver réus — mas apenas em situações específicas.

O entendimento consolidado no STF é que os infringentes só são admitidos quando o réu obtém ao menos dois votos pela absolvição, o que não ocorreu no julgamento da tentativa de golpe.

Por isso, Moraes pode rejeitar o recurso de imediato e decretar o trânsito em julgado já nos próximos dias.

O ministro Alexandre de Moraes pode rejeitar o recurso de imediato e decretar o trânsito em julgado já nos próximos dias. Imagem Faculdade de Direito USP.
O ministro Alexandre de Moraes pode rejeitar o recurso de imediato e decretar o trânsito em julgado já nos próximos dias. Imagem Faculdade de Direito USP.

A situação paralela: Bolsonaro já está preso

Apesar de ainda não estar cumprindo a pena do caso do golpe, Bolsonaro segue detido desde sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A prisão atual é preventiva e foi decretada por Moraes em outro inquérito.

Segundo a decisão, dois elementos pesaram:

Violação da tornozeleira eletrônica, usada durante a prisão domiciliar.

Risco de fuga, associado à convocação de uma vigília religiosa na porta da casa do ex-presidente, articulada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro com marcas de violação. Imagem divulgação Polícia Federal.
Tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro com marcas de violação. Imagem divulgação Polícia Federal.

O ministro afirmou que esses fatores poderiam facilitar uma “estratégia de evasão”, semelhante à de outros investigados.

A defesa sustenta que Bolsonaro não tentou fugir e afirma que ele apresentava quadro de confusão mental e alucinações provocadas por medicamentos.

O que deve acontecer agora

Com o fim do prazo dos embargos e sem manifestação da defesa do ex-presidente, Moraes pode:

→ Rejeitar os recursos de outros réus;

→ Avaliar tentativas de novos embargos e classificá-los como protelatórios, se for o caso;

→ Declarar o trânsito em julgado;

→ Determinar o início da execução das penas.

Caso os infringentes sejam rejeitados, a execução pode começar imediatamente, e os réus devem ser levados ao sistema prisional.

Quem mais foi condenado no processo do golpe

Além de Bolsonaro, foram condenados:

• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

• Augusto Heleno, ex-chefe do GSI;

• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

• Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal;

• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

• Walter Braga Netto, general e ex-ministro;

• Mauro Cid, ex-ajudante de ordens (delator, cumpre 2 anos de prisão domiciliar).

Todos, com exceção de Cid, aguardam o fim da fase recursal.

Prisão preventiva mantida pelo STF

Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma manteve a prisão preventiva de Bolsonaro por unanimidade. Os ministros acompanharam o voto de Moraes, que afirmou que o ex-presidente “violou dolosa e conscientemente” o monitoramento eletrônico.

A decisão também considerou:

→ risco de fuga,

→ proximidade do trânsito em julgado,

→ possibilidade de mobilizações capazes de interferir na execução da decisão.

Relembre o caso da condenação de Bolsonaro

O julgamento que condenou Bolsonaro e ex-integrantes do governo foi marcado por acusações de articulação para impedir a posse do presidente Lula e minar as instituições democráticas.

O STF avaliou documentos, depoimentos, mensagens e movimentos que culminaram na condenação por tentativa de golpe — um dos processos de maior impacto político desde 2023.

Classificação Indicativa: Livre

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