Política

PF cumpre 49 mandados em investigação sobre financiamento de filme ligado a Bolsonaro

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O filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro, é investigado por repasses financeiros irregulares e sua relação com o fundo Havengate nos EUA  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Internet
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 10/09/2026, às 08h04



A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

A ação é acompanhada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a relatar o inquérito após o caso, inicialmente conduzido em São Paulo, ser encaminhado à Corte. Não foram expedidos mandados de prisão nesta etapa da investigação.

Além de Karina Gama, os agentes realizam buscas em duas entidades ligadas à produtora, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados para direcionar recursos de emendas a empresas subcontratadas de forma irregular.

Segundo a Polícia Federal, os investigadores identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao suposto esquema. A corporação também aponta que as tentativas de ocultar os recursos teriam continuado até julho deste ano.

Emenda de R$ 2 milhões está no centro da apuração

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União identificou suspeitas envolvendo uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama. Entre os problemas apontados estão despesas sem comprovação.

A investigação também verifica se os serviços contratados com os recursos públicos foram realmente executados. A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

O filme “Dark Horse” também aparece em outra investigação no Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria do ministro André Mendonça, outro inquérito analisa valores repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, e tenta esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro.

Em maio, uma reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava recursos de Vorcaro para financiar a produção sobre o pai. Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões em 2025.

Dinheiro teria passado por fundo nos Estados Unidos

De acordo com a investigação divulgada, os recursos teriam sido enviados para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado à defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no país.

Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é dono da Entre Investimentos, empresa que teria realizado repasses para o fundo por determinação de Daniel Vorcaro.

Segundo a delação, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Mineiro afirmou que era responsável por “gerar” dinheiro em espécie para a equipe de Vorcaro. O empresário relatou que os valores eram transportados em malas e teriam como finalidade pagamentos de propina.

Ainda conforme o depoimento, foram realizados sete repasses ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, apresentados como “subscrições de cotas”. As operações somaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro do ano passado.

Contrato de R$ 108 milhões também é investigado

O Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina Gama, também é alvo de apurações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil. A entidade possui um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet sem fio gratuitos em regiões periféricas.

O acordo previa a implantação de 5 mil pontos até junho de 2025. Até o momento, porém, cerca de 3.200 teriam sido instalados. Pelo menos três aditivos alteraram o prazo para conclusão do serviço.

O Ministério Público de São Paulo apura ainda se houve ausência de concorrência no processo de contratação do instituto.

A Polícia Federal agora busca esclarecer se todo o dinheiro destinado ao fundo foi utilizado na produção de “Dark Horse”, como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teria sido utilizada para outras finalidades, incluindo o custeio das atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

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