Política
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse", longa de ficção inspirado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o órgão regulador, a empresa teria descumprido a legislação ao realizar uma produção estrangeira em território brasileiro sem comunicar previamente a agência.
A Ancine informou que tentou contato com a produtora em duas ocasiões para solicitar esclarecimentos sobre o projeto. Como não houve resposta, o processo foi formalizado e a empresa passou a ter prazo para apresentar sua defesa.
De acordo com a Ancine, toda obra audiovisual estrangeira filmada no Brasil deve ser comunicada previamente ao órgão responsável pela regulação do setor.
Segundo a agência, essa exigência não foi observada durante a produção de "Dark Horse".
Nos casos de obras estrangeiras filmadas no Brasil, é preciso que a Ancine seja comunicada. Situação que não ocorreu no caso do filme Dark Horse”, informou a agência.
Caso a infração seja confirmada ao fim do processo administrativo, a legislação brasileira prevê aplicação de multa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
Filme é produzido por empresa dos Estados Unidos
O longa é falado em inglês e conta com direção, roteiro e elenco principal formados por profissionais norte-americanos.
A Go Up Entertainment tem sede na Califórnia, nos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela própria empresa. Ao mesmo tempo, a produtora também está registrada como agente econômico junto à Ancine desde julho de 2025, com endereço informado em São Paulo.
Pedido de registro foi protocolado em junho
Antes da abertura do processo administrativo, a distribuidora Europa Filmes havia protocolado, em junho, um pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) para "Dark Horse".
O registro é uma das etapas previstas para a circulação de produções estrangeiras no mercado audiovisual brasileiro.
Produção também foi alvo de polêmica sobre financiamento
Além da investigação administrativa, o filme esteve recentemente no centro de uma controvérsia envolvendo sua fonte de financiamento.
Em maio, a Go Up Entertainment negou ter recebido recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para custear a produção.
A informação havia sido publicada pelo site The Intercept Brasil, que afirmou que Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao projeto. A reportagem também mencionou conversas entre o empresário e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre os supostos repasses.
Flávio Bolsonaro confirma pedido de apoio, mas nega irregularidades
Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou que solicitou apoio financeiro para a produção do longa, mas negou ter obtido qualquer benefício pessoal ou praticado irregularidades.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), apontado como participante das tratativas, também negou qualquer ilegalidade e declarou apoio à posição apresentada pela produtora.
Empresa poderá apresentar defesa
Com a instauração do processo administrativo, a Go Up Entertainment poderá apresentar esclarecimentos e exercer o direito de defesa dentro do prazo estabelecido pela Ancine.
Somente após a análise das manifestações da empresa é que a agência decidirá se houve infração à legislação e se haverá aplicação de eventual sanção administrativa.
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