Política
A crise entre MDB e PT no Rio Grande do Norte se intensificou após críticas do presidente municipal do MDB, Luiz Carlos, sobre a falta de diálogo e a subestimação do vice-governador Walter Alves, que pode reavaliar o apoio à governadora Fátima Bezerra nas eleições de 2026.
O desgaste na relação se deve a decisões unilaterais do PT e à falta de valorização do MDB, refletindo também nas eleições municipais de 2024, onde o partido se sentiu excluído de decisões importantes, como a indicação para vice-prefeito.
O MDB anunciou que não aceitará deputados estaduais com mandato na nominata para a Assembleia Legislativa em 2026, buscando uma renovação e reforçando sua independência política, enquanto a relação com o PT se torna cada vez mais tensa e decisiva para o futuro eleitoral.
A crise entre MDB e PT no Rio Grande do Norte deixou o terreno dos bastidores e ganhou contornos públicos. Em entrevista ao BNews Natal, o presidente municipal do MDB em Natal, professor Luiz Carlos, fez duras críticas à forma como o partido foi tratado ao longo do governo Fátima Bezerra (PT), afirmou que o vice-governador Walter Alves foi politicamente subestimado e admitiu que o MDB pode reavaliar o apoio à governadora, caso ela confirme candidatura ao Senado em 2026.
Segundo o dirigente, a relação foi sendo desgastada por uma sequência de decisões unilaterais do PT, ausência de diálogo e pouca valorização do MDB dentro da gestão estadual. “No meu entendimento, Walter estava sendo tratado como adversário”, afirmou.
Walter foi ouvido, mas PT “jogou mal”, diz MDB
Luiz Carlos relatou que Walter Alves conversou previamente com as lideranças municipais antes de anunciar que não assumiria o Governo do Estado em caso de renúncia da governadora. Para ele, o vice agiu com correção partidária, ouvindo dirigentes e avaliando o cenário político e administrativo.
O presidente municipal do MDB, no entanto, avalia que o PT errou ao antecipar o jogo sucessório e lançar, de forma precipitada, uma pré-candidatura ao Governo do Estado, sem aguardar uma definição mais clara do vice-governador. “Faltou manejo político. Era o momento de conversar mais, de aguardar, e não de atropelar”, disse.
Pouco espaço e desgaste acumulado
Na avaliação do dirigente, ao longo de quase todo o mandato, Walter Alves teve espaço reduzido dentro da gestão. “Foram três anos em que ele teve praticamente uma secretaria. Se o PT sabia que precisaria dele na frente, deveria tê-lo transformado em um super secretário”, criticou.
Esse desgaste, segundo ele, também se refletiu nas eleições municipais de 2024, especialmente em Natal. Luiz Carlos afirma que o MDB esperava indicar o nome para vice-prefeito na chapa governista, como previa a lógica da aliança, mas acabou sendo comunicado, de última hora, que isso não aconteceria.
“O MDB foi apenas comunicado. Não houve construção. Isso também contribuiu para o rompimento do equilíbrio da aliança”, avaliou, afirmando que erros estratégicos do PT ajudaram a abrir espaço para a vitória da direita na capital.
Justificativa técnica pesou na decisão de Walter
Questionado sobre os motivos que levaram Walter Alves a decidir que não assumiria o Governo do Estado, Luiz Carlos reforçou que o fator determinante foi técnico. Ele citou o envio da Lei Orçamentária Anual (LOA) com déficit, ressaltando que a própria peça orçamentária enviada pelo governo reconhece um desequilíbrio entre receitas e despesas.
“O orçamento chegou à Assembleia com mais despesas do que receitas. Isso sem contar reajustes, novos concursados e outras pressões que ainda não estavam totalmente computadas”, afirmou, destacando que o risco de atrasos e desgaste administrativo foi considerado.
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Tentativa de tirar comando do MDB amplia crise
O dirigente também comentou informações de bastidores que apontam uma tentativa do PT de retirar o comando do MDB das mãos de Walter Alves no Estado. Embora diga que o tema ainda não chegou oficialmente ao diretório municipal, ele reconhece a gravidade da articulação.
“Se isso se confirmar, é uma falta de respeito à história do MDB e à família Alves”, disse, citando a trajetória política do partido no Rio Grande do Norte.
Ao ser questionado diretamente se esse movimento pode comprometer o apoio do MDB à candidatura de Fátima Bezerra ao Senado, Luiz Carlos foi direto: “Há essa possibilidade, sim”.
MDB reage a acusações de ‘traição’
O presidente municipal do MDB também rebateu declarações do secretário Raimundo Alves, que classificou a decisão de Walter como traição e sugeriu deslealdade ao presidente da Assembleia Legislativa.
Para Luiz Carlos, o discurso não se sustenta. Ele lembrou episódios anteriores em que o PT rompeu alianças políticas no Estado e afirmou que o partido não tem autoridade para acusar Walter de deslealdade após anos de afastamento político dentro do próprio governo.
MDB prepara nominata sem mandato e aposta em renovação
Em um dos pontos mais relevantes da entrevista, o professor Luiz Carlos revelou, em primeira mão, que o MDB decidiu não aceitar deputados estaduais com mandato na composição da nominata para a Assembleia Legislativa em 2026.
“No MDB, nós não vamos aceitar deputado estadual com mandato na nominata. Vai ser uma renovação”, afirmou.
Segundo ele, o partido já trabalha com cerca de 14 a 15 nomes, que devem ser oficialmente apresentados em março. Walter Alves é apontado como puxador de votos, e a estratégia aposta na capilaridade do partido, que conta com dezenas de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-gestores espalhados pelo Estado.
Luiz Carlos citou, sem detalhar todos os nomes, lideranças de municípios como São Gonçalo do Amarante, Nova Cruz, além de quadros do interior e da capital. A expectativa do MDB é eleger de dois a três deputados estaduais, a depender do quociente eleitoral e das coligações.
A aposta, segundo ele, é transformar a chapa em uma “vitrine da renovação”, atraindo novos nomes e reforçando o discurso de independência política do partido.
Ao vocalizar publicamente a insatisfação com o PT, expor mágoas acumuladas e anunciar mudanças estratégicas internas, o MDB sinaliza que o distanciamento da governadora Fátima Bezerra não é episódico. A entrevista indica que a relação entre os dois partidos entrou em uma fase decisiva — com reflexos diretos no tabuleiro eleitoral de 2026.
Confira a entrevista completa, aqui.
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