Política
Publicado em 18/12/2025, às 11h20 Malu Machado
O Senado aprovou o projeto de Lei 2162/2023, conhecido como PL da Dosimetria, que propõe a redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A votação ocorreu com 48 votos a favor e 25 contra, e o projeto já havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, gerando controvérsias sobre a proteção da democracia e a decisão do STF.
O presidente Lula sinalizou que vetará o projeto, e, caso isso ocorra, o Congresso poderá tentar derrubar o veto. Além disso, há ações no Supremo Tribunal Federal que podem contestar a constitucionalidade da nova lei, independentemente de sua sanção ou veto.
Na noite desta quarta-feira (17), o Senado aprovou, em votação nominal, o projeto de Lei (PL) 2162/2023, o chamado PL da Dosimetria, que prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.
Os senadores aprovaram, com 48 votos favoráveis e 25 votos contra, o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que reduz as penas dos condenados por atos golpistas. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
O texto segue agora para a sanção presidencial, que já sinalizou que vai vetar o projeto.
Em seu perfil no X, a ministra Gleisi Hoffmann , presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que Lula irá vetar o texto assim que ele chegar ao Planalto. “Condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes”, declarou.
A redução das penas de Jair Bolsonaro e demais golpistas, aprovada agora à noite no Senado, é um desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na legislação que protege a democracia. A condução desse tema pela liderança do governo no Senado na CCJ foi um erro lamentável,…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) December 18, 2025
O destino final do projeto de lei agora depende de decisões em diferentes esferas: Presidência, Congresso e Judiciário.
O primeiro passo é a sanção ou veto do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
Mesmo que o projeto vire lei, ele pode ser contestado judicialmente. Diversos atores, incluindo partidos políticos, entidades de classe, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o próprio governo, podem entrar com Ações de Inconstitucionalidade contra a nova lei.
Se o tema chegar ao STF, Caberá aos ministros da Suprema Corte decidir se a lei está ou não de acordo com a Constituição Federal. Se for considerado inconstitucional, a lei é anulada.
Independentemente da sanção ou veto, o tema já está sendo debatido no Supremo. Atualmente, já existe uma ação movida por parlamentares no STF com o objetivo de parar a tramitação do texto enquanto ele ainda estava no Congresso.
O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa contra o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.
O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas, reduzindo também o tempo para progressão do regime de prisão fechado para semiaberto ou aberto.
Tais mudanças poderão beneficiar réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança
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