Política
Publicado em 12/02/2026, às 07h43 Malu Machado
A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou que considera alternativas para a eleição indireta ao governo do estado, após a desistência do vice-governador Walter Alves em assumir o cargo, o que complicou sua estratégia sucessória.
Fátima planeja renunciar até 4 de abril para concorrer ao Senado, mas enfrenta dificuldades para garantir os 13 votos necessários na Assembleia Legislativa, onde seu candidato preferido, Cadu Xavier, não é o único cogitado.
Com a renúncia iminente de Fátima e a recusa de Walter Alves, a Assembleia Legislativa realizará uma eleição indireta para escolher um governador e um vice que governarão até 2027, enquanto a governadora busca fortalecer alianças políticas antes de uma reunião estratégica após o Carnaval.
A governadora Fátima Bezerra (PT) agitou os bastidores políticos nesta quarta-feira (11) durante um café da manhã com jornalistas no Complexo Cultural da Rampa. Em meio às resistências na Assembleia Legislativa (ALRN), a chefe do Executivo admitiu que já considera "outras opções" para a eleição indireta ao Governo do Estado, além do seu nome preferencial, o secretário da Fazenda, Cadu Xavier.
Fátima reafirmou que pretende renunciar ao cargo até 4 de abril para disputar o Senado, mas o cenário sucessório ruiu após o vice-governador Walter Alves (MDB) desistir de assumir o governo para tentar uma vaga de deputado estadual. Sem o sucessor natural, a eleição será decidida pelos 24 deputados estaduais, onde a governadora confessou ainda não ter os 13 votos necessários.
“O nome de Cadu Xavier foi colocado, mas Cadu desde o início sabe que nós trabalhamos com outras opções. Ele tem clareza exatamente disso”, afirmou a governadora, defendendo que é "legítimo" que o PT indique o sucessor.
Embora não tenha citado nomes, o mercado político aponta o deputado Francisco do PT, atual líder do governo, como o plano B mais forte. O deputado Vivaldo Costa (PV) também foi lembrado, mas descartou a disputa nesta semana. Fátima pretende intensificar as conversas com os aliados e marcou uma reunião estratégica para logo após o Carnaval.
O momento tenso do café da manhã foi quando Fátima comentou o rompimento do vice-governador Walter Alves, que declarou apoio a Allyson Bezerra (União). A governadora disse ter sido "totalmente surpreendida" e classificou a atitude como uma quebra de pacto que teria o aval até do presidente Lula.
“Ele cometeu um equívoco, se precipitou. Talvez ele tenha jogado fora a chance mais especial que ele tinha na vida dele de ser eleito governador do Estado do Rio Grande do Norte”, disparou Fátima.
Segundo a petista, o acordo previa que Walter assumisse o governo em abril e buscasse a reeleição com o apoio do PT. Fátima revelou ainda que estava ajudando o MDB a montar suas nominatas para 2026, inclusive articulando a migração do presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, para o partido de Walter, plano que naufragou após o rompimento.
Com a renúncia de Fátima para concorrer ao Senado e a recusa de Walter Alves (que quer ser deputado estadual), o Rio Grande do Norte terá uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. Os deputados escolherão um governador e um vice-governador "tampão" para gerir o estado de abril de 2026 até 5 de janeiro de 2027.
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