Política

Herança do crime: quem é o filho do Careca do INSS capturado em ofensiva milionária da PF

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Romeu Antunes Carvalho, filho de operador do esquema, foi preso durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/LUIS NOVA/METRÓPOLES
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 18/12/2025, às 13h25



Romeu Antunes Carvalho foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18), durante mais uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A fraude veio à tona após revelação do site Metrópoles.

Ele é filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pelas investigações como um dos principais operadores do esquema e que está preso desde setembro.

A ofensiva da Polícia Federal também teve desdobramentos no campo político e administrativo, com cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), do Maranhão, e o afastamento do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal.

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Núcleo político e prisões de alto escalão

Além do afastamento do cargo, Adroaldo Portal teve a prisão domiciliar decretada por decisão judicial. Ele é ex-chefe de gabinete do senador Weverton Rocha e ocupava o segundo posto mais importante da pasta da Previdência.

Outro alvo da operação foi o advogado Éric Douglas Martins Fidelis, preso por ordem da PF. Ele é filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, apontado como elo jurídico e financeiro do esquema criminoso.

As medidas judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha o caso devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado.

De vida discreta a operador financeiro

Até entrar no radar da PF, Romeu Antunes Carvalho mantinha um perfil discreto. Atuou como programador de sistemas na PicPay Instituição de Pagamentos, vínculo encerrado em setembro de 2023.

Segundo os investigadores, a mudança no padrão de atuação ocorre a partir do fim daquele ano, quando Romeu passou a integrar diretamente empresas ligadas ao pai, Antônio Carlos Camilo Antunes.

Ele se tornou sócio formal de pelo menos quatro empresas e aparece de forma indireta em outras três, todas sob suspeita de participação no esquema de desvios.

Contas, lavagem de dinheiro e bens de luxo

As apurações indicam que Romeu tinha autorização para movimentar contas bancárias utilizadas no esquema e atuava como operador financeiro em empresas suspeitas de lavar recursos oriundos das fraudes contra aposentados e pensionistas.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, investigadores apreenderam carros de luxo, relógios importados, joias, armas e dinheiro em espécie, patrimônio que, segundo a PF, foi adquirido com valores desviados ilegalmente de beneficiários do INSS.

Os investigadores apontam que os bens eram usados como forma de ocultar e dissimular a origem dos recursos ilícitos.

Como funcionava o esquema bilionário

De acordo com a Polícia Federal, o esquema operava por meio de descontos associativos não autorizados, lançados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.

As vítimas tinham valores abatidos mensalmente como se fossem filiadas a associações de classe, sem nunca terem autorizado qualquer adesão.

O dinheiro era pulverizado em contas de empresas, familiares e intermediários, depois convertido em patrimônio de alto valor, estratégia usada para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

A investigação identificou núcleos responsáveis pela captação de dados, inserção de informações falsas em sistemas oficiais e lavagem de capitais.

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