Política
O último debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do segundo turno, exibido pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23), foi marcado por acusações pessoais intensas e uma disputa voltada para atrair o eleitorado indeciso. Empatados tecnicamente nas pesquisas de intenção de voto, os candidatos protagonizaram momentos de forte tensão, nos quais as propostas de governo acabaram cedendo espaço para ataques diretos sobre corrupção, passado político e segurança pública.
A temperatura do confronto subiu logo no primeiro bloco. Flávio Bolsonaro atacou o petista utilizando a expressão "nove dedos" para se referir a ele, gerando imediata reação de Lula. O presidente exigiu que o senador pedisse perdão aos trabalhadores do país, lembrando que perdeu o dedo em um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico, e contra-atacou chamando o rival de "miliciano". Minutos depois, o candidato do PL pediu desculpas pela fala capacitista, mas emendou críticas sobre o aumento da população em situação de rua durante as gestões do PT.
A dinâmica seguiu hostil ao longo da noite. Enquanto o atual presidente tentava associar as propostas do adversário às políticas do argentino Javier Milei e pintava o senador como alguém despreparado, Flávio focava em críticas à taxa de juros, ao custo de vida e apostava em indiretas sobre a idade de Lula, sugerindo que o presidente de 80 anos tinha problemas auditivos e de dicção.
O ponto de maior tensão ocorreu no terceiro bloco, quando o tema mudou para segurança pública e o combate a facções. O presidente Lula abordou o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói (RJ) em 2021. O petista apontou para a plateia, revelando a presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança, e lembrou que o policial militar acusado pelo disparo foi defendido gratuitamente por Flávio Bolsonaro.
Ao responder, Flávio se dirigiu à mulher na plateia, mas errou, chamando-a pelo nome da filha morta. "Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro", afirmou o candidato do PL. Na conclusão deste mesmo bloco, Lula cometeu um ato falho: ao tentar dizer que pretendia "acabar com a milícia" criando um novo Ministério da Segurança Pública, o presidente disse que iria "acabar com a polícia".
O quarto e último bloco do debate foi reservado para temas livres, espaço em que ambos usaram o tempo para trocar acusações de corrupção e tráfico de influência. Lula cobrou explicações de Flávio sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz e com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O petista também questionou o financiamento de R$ 134 milhões para o filme "Dark Horse", que aborda a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na réplica, o senador rechaçou as acusações e trouxe à tona uma reportagem da revista Veja que relatava a suposta compra de um uísque Macallan 1945, avaliado em cerca de R$ 500 mil, que teria sido adquirido por Vorcaro para presentear Lula.
Classificação Indicativa: Livre
Modo Karaokê
som poderoso
Notebook Poderoso
famoso copo
Smartwatch top