Política

Flávio Bolsonaro comete gafe e chama mãe de criança morta pelo nome da filha durante debate

Foto: reprodução/TV Globo
Durante o último debate, Flávio Bolsonaro confundiu o nome da mãe de Ana Clara, uma criança morta em ação policial, gerando repercussão negativa.  |   BNews RN - Divulgação Foto: reprodução/TV Globo
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 24/10/2026, às 12h37



O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) protagonizou um momento de confusão durante o último debate presidencial do segundo turno, transmitido pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23). Ao tentar se dirigir à mãe de uma menina morta durante uma ação policial no Rio de Janeiro em 2021, o senador trocou os nomes e chamou a mulher diretamente pelo nome da própria criança, Ana Clara Gomes Machado, que tinha apenas 5 anos quando foi vítima de um tiro de fuzil.

A mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva, acompanhava o embate frente a frente, diretamente da plateia do estúdio da emissora. A convite da campanha do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ela estava sentada entre a primeira-dama Janja e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Durante a transmissão, Cristiane utilizava uma camiseta com a foto da filha estampada e a frase pedindo "Justiça por Ana Clara", em um protesto silencioso contra a demora no desfecho do processo criminal.

O episódio ocorreu quando a discussão se voltou para a segurança pública e a criminalidade. Flávio tentou prestar solidariedade à família, mas cometeu o ato falho na abordagem. "Ana Clara, eu quero falar pra senhora: está, de verdade, a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu", declarou o candidato, acrescentando que não conseguia imaginar a dor de perder uma filha pequena e reafirmando ter a confiança de que o policial acusado pelo Ministério Público não seria o responsável pelo disparo.

O caso Ana Clara e a atuação da defesa

Ana Clara morreu no dia 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, localizada na cidade de Niterói (RJ). A menina brincava perto de casa na companhia do irmão caçula, de 2 anos, quando foi atingida durante uma operação. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi formalmente denunciado de ter efetuado o disparo que vitimou a criança. O agente responde ao processo em liberdade e nega ser o autor do tiro fatal.

A ligação de Flávio Bolsonaro com o episódio se deve ao fato de o senador ter integrado, gratuitamente, a equipe de defesa do policial militar. Em 2024, Flávio chegou a assinar um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento de Delaroli pelo Tribunal do Júri, mas o pedido foi rejeitado. Mais de cinco anos após o crime, o julgamento do PM foi adiado pela Justiça e está marcado apenas para 5 de maio de 2027.

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