Política

Crise no clã Bolsonaro expõe racha público e troca de farpas entre aliados do PL

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A disputa interna no Partido Liberal se intensifica com críticas de Eduardo Bolsonaro a Michelle e Nikolas Ferreira sobre apoio a Flávio  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/X
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 23/02/2026, às 17h02



A disputa interna no Partido Liberal (PL) ganhou novos contornos após declarações públicas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e reações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira. O embate envolve divergências sobre prioridades políticas e apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

O episódio mais recente foi marcado por críticas diretas de Eduardo, que afirmou que Michelle e Nikolas estariam alinhados em uma estratégia que, segundo ele, ignora a necessidade de apoio explícito ao irmão. A fala ampliou a tensão entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A troca de declarações ocorreu em meio a debates sobre a condução da oposição ao governo federal e sobre a mobilização de apoiadores nas redes sociais.

Divergências sobre anistia e ato político

O estopim da crise foi a convocação feita por Nikolas para o ato “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, previsto para 1º de março. Parte do grupo bolsonarista avaliou que a manifestação não priorizaria a pauta da anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Aliados defendem que a situação dos presos deve ser o foco central das mobilizações. Para esse segmento, a estratégia adotada pelo parlamentar mineiro dilui a principal bandeira do grupo neste momento.

Eduardo Bolsonaro intensificou o debate ao afirmar que falta engajamento público em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele declarou que não identificou manifestações claras de apoio por parte de Michelle Bolsonaro.

Respostas públicas e indiretas nas redes

Nikolas Ferreira respondeu às críticas após visitar o ex-presidente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília. Ele negou qualquer desatenção às prioridades do grupo e rebateu a acusação de “amnésia”.

“Discordo que eu tenho amnésia e que a Michelle tem amnésia. E, diante das situações que estão acontecendo, nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde. E a prioridade é nos atacar. Isso diz muito mais sobre eles do que sobre mim”, afirmou.

Michelle Bolsonaro, que lidera o segmento feminino do partido, optou por uma manifestação indireta. Em publicação nas redes sociais, compartilhou imagem de rodelas de banana frita, mencionando que o marido aprecia o alimento. A postagem foi interpretada por aliados como referência ao apelido atribuído a Eduardo.

Repercussão interna e cobrança por alinhamento

Após a publicação, Eduardo repostou mensagem de um apoiador com teor crítico. O texto dizia que, enquanto alguns “fritam banana”, Flávio e Eduardo estariam trabalhando para “resgatar o país”.

Embora tenha declarado não desejar ampliar o desgaste interno, Eduardo cobrou posicionamentos mais explícitos de apoio ao ex-presidente e ao projeto político da família.

O episódio evidencia o clima de tensão dentro do Partido Liberal (PL) e expõe divergências estratégicas em um momento considerado decisivo para a reorganização do campo bolsonarista.

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