Política

Careca do INSS liderava fraude milionária na CBPA; veja a rede oculta de descontos indevidos

Lula Marques - Agência Brasil
Empresário conhecido como 'Careca do INSS' é acusado de liderar esquema de fraudes que envolvia descontos indevidos em aposentadorias  |   BNews RN - Divulgação Lula Marques - Agência Brasil

Publicado em 22/12/2025, às 16h48   Malu Machado



A Polícia Federal revelou que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS', controlava a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura, que estava envolvida em fraudes no INSS, resultando em descontos indevidos nos benefícios de aposentados.

O esquema de fraude incluía afiliações em massa sem consentimento, gerando um desvio estimado de R$ 99 milhões, com a CBPA passando de zero filiados em 2022 para mais de 400 mil em 2024, levantando suspeitas de corrupção e falsificação.

A Controladoria-Geral da União questiona a capacidade da CBPA de atender seus associados, enquanto a PF continua a investigação para desmantelar a rede de exploração econômica que afeta os beneficiários mais vulneráveis.

Resumo gerado por IA

A Polícia Federal (PF) apontou, na divulgação de novos elementos da investigação que apura fraudes e descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", era o dono oculto da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA).

Segundo o inquérito, apesar da entidade de ter uma diretoria formal, estava sob controle financeiro e operacional de Antunes. Os investigadores descobriram que o "Careca do INSS" atuava nos bastidores com Paulo Gabriel Negreiros e Tiago Schettini, donos da CBPA, garantindo que a entidade pudesse firmar convênios e efetuar os descontos diretamente na folha de pagamento dos benefícios previdenciários.

O esquema dos descontos

O método de fraude consistia em realizar afiliações em massa, muitas vezes sem o consentimento claro dos beneficiários. Uma vez filiados, os aposentados passavam a ter uma parcela de seu pagamento mensal descontada e repassada à CBPA, como mensalidade associativa.

"As provas colhidas indicam que o objetivo principal da entidade não era a representação de classe, mas sim a exploração econômica e o enriquecimento ilícito por meio de descontos indevidos na fonte de renda dos mais vulneráveis," afirma um trecho do relatório da PF.

A PF estima que a rede controlada por Antunes movimentou cerca de R$ 99 milhões. O empresário, já com histórico de envolvimento em esquemas similares de exploração do sistema previdenciário, utilizava sua influência para manter a operação em pleno funcionamento, burlando a fiscalização.

O envolvimento da CBPA

A Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura é suspeita de corrupção e falsificação em massa de filiações de segurados para lucrar com descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo a Polícia Federal, a Confederação, que não possuía filiados em 2022, firmou acordo com o INSS e passou a ter mais de 300 mil associados no ano seguinte, com arrecadação de R$ 57,8 milhões. No primeiro trimestre de 2024, o número de filiados já ultrapassava os 400 mil. Para a Controladoria-Geral da União (CGU), a CBPA não possui estrutura para atender os associados, levantando pistas de fraude nas filiações.

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