A investigação sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou um novo capítulo. A Polícia Federal (PF) pediu e obteve autorização para quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Essa autorização foi dada antes da aprovação da quebra de sigilo bancário pela CPMI do INSS nesta quinta-feira (26). Fábio é o filho mais velho do presidente.
PF aponta citações e possível vínculo com “Careca do INSS”
De acordo com relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal sustenta que surgiram citações a Fábio Luís ao longo das apurações. Os investigadores afirmam que, até o momento, as menções partem de terceiros e indicam vínculos indiretos, sem comprovação de participação direta nos fatos investigados.
O nome de Lulinha aparece associado ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema. Antunes está preso desde 12 de setembro de 2025.
A apuração também menciona a empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, deflagrada para investigar os desvios no INSS. Segundo os investigadores, ela seria peça central na ocultação de patrimônio e na gestão de contas ligadas ao grupo.
Passagens, empresas e repasses milionários
O requerimento aprovado pela CPMI do INSS cita repasses de R$ 1,5 milhão à empresa RL Consultoria, de Roberta Luchsinger, feitos pela Brasília Consultoria, apontada como empresa de fachada do grupo investigado. A comissão afirma que as transações não teriam lastro econômico real.
Entre os elementos destacados estão passagens aéreas emitidas sob o mesmo localizador para Fábio Luís e Roberta, além de registros de viagem conjunta de Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes em voo da Latam, de Guarulhos para Lisboa, em 8 de novembro de 2024. Os bilhetes teriam custado entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
Documentos preliminares da Polícia Federal indicam ainda a suspeita de pagamento de uma “mesada” de R$ 300 mil a Lulinha, supostamente vinculada ao esquema de desvios no INSS. A defesa do filho do presidente nega irregularidades e afirma que as citações são infundadas.
Decisão sob sigilo e repercussão política
Na decisão que autorizou a quebra dos sigilos, André Mendonça determinou que provedores de internet preservem os e-mails vinculados a Fábio Luís pelo tempo necessário às investigações. O processo tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
Em meio à repercussão do caso, o presidente Lula declarou, em dezembro de 2025, que eventual envolvimento de seu filho seria investigado. Em fevereiro de 2026, voltou a afirmar que, se houver irregularidade, ele deverá responder.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, tem mantido o presidente informado sobre o andamento das apurações relacionadas ao INSS, enquanto a CPMI avança na análise dos dados bancários e fiscais autorizados.