Política

Após ordem de transferência de Bolsonaro, Moraes diz em discurso que "já fez o que tinha que fazer"

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Após assinar transferência de Bolsonaro, Moraes faz piada em evento da USP, gerando aplausos e interpretações sobre sua decisão  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 16/01/2026, às 10h02   Malu Machado



O ministro Alexandre de Moraes, do STF, transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como 'Papudinha', em um ato que gerou reações e foi interpretado como um recado político.

Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe, estava anteriormente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e agora cumprirá pena em um local onde estão outros ex-integrantes de seu governo.

Embora esteja no mesmo complexo que outros detentos, Moraes impôs que Bolsonaro fique em uma cela separada, sem contato direto com eles, estabelecendo regras rigorosas para sua nova rotina prisional.

Resumo gerado por IA

Horas após assinar a determinação de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como "Papudinha", o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou um momento de descontração que foi interpretado como um recado direto.

Durante a cerimônia de colação de grau da 194ª turma da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), realizada na noite desta quinta-feira (15), Moraes — que foi o paraninfo da turma — arrancou aplausos da plateia ao afirmar, em tom de brincadeira, que já havia cumprido sua "missão" do dia.

O recado na USP

O comentário ocorreu quando o ministro reclamava, com bom humor, sobre a duração do evento e o fato de os oradores terem estourado o tempo previsto.

"Oito discursos para vocês é um absurdo do absurdo. Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos? Quase que eu tive que tomar algumas medidas. Mas eu me contive hoje, né? Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer", disparou Moraes.

Embora não tenha citado nomes, a declaração foi imediatamente associada pela audiência à decisão de grande repercussão tomada por ele mais cedo. A fala foi seguida por uma salva de palmas dos formandos e convidados.

Veja vídeo:

Transferência para a Papudinha

A "medida" a que o ministro se referiu indiretamente trata da mudança de local de cumprimento da pena do ex-presidente. Até então detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Bolsonaro será levado para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar (Papudinha).

O ex-mandatário cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, condenado por liderar a trama golpista que abalou as instituições brasileiras.

A nova rotina prisional

Na Papudinha, Bolsonaro ficará no mesmo complexo onde já se encontram outros nomes ligados ao seu governo e às investigações sobre atos antidemocráticos, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques.

Apesar da proximidade geográfica, a determinação de Moraes estabelece regras rígidas: Bolsonaro deverá ocupar uma cela separada, sem contato direto com os demais detentos citados.

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