Polícia
Publicado em 10/03/2026, às 08h03 Malu Machado
A tendência digital 'treinando caso ela diga não' tem gerado preocupação entre as autoridades, pois simula reações violentas a rejeições amorosas, refletindo um contexto alarmante de feminicídios no Brasil, que atingiu um recorde de 1.470 mortes em 2025.
Os vídeos, que acumulam grande engajamento nas redes sociais, são criticados por especialistas que apontam a demora na remoção de conteúdos violentos, uma vez que o lucro das plataformas é impulsionado por esse tipo de material.
Em resposta, a Polícia Federal abriu um inquérito e o TikTok começou a derrubar perfis envolvidos, enquanto políticos como Duda Salabert e Pedro Campos buscam ações legais para responsabilizar os criadores de conteúdo por apologia ao crime e misoginia.
Uma tendência digital intitulada “treinando caso ela diga não” ganhou força nas redes sociais e acendeu um alerta máximo nas autoridades de segurança e defesa da mulher.
Os vídeos, que acumulam centenas de milhares de interações, simulam pedidos de namoro ou casamento seguidos de reações extremamente agressivas - como socos, golpes de luta e uso de facas - caso a resposta da mulher seja negativa.
Segundo informações da Polícia Federal, perfis foram derrubados e um inquérito foi aberto para investigar a incitação à violência. O TikTok informou, em nota, que os conteúdos violam as diretrizes da comunidade e estão sendo removidos.
Especialistas como Raquel Saraiva, do IP.rec, apontam que a demora na remoção ocorre porque o engajamento gera lucro para as plataformas. "Certamente um vídeo dessa trend vai viralizar muito mais do que um vídeo educativo", alerta a pesquisadora.
A viralização desses vídeos ocorre em um momento crítico. O Brasil registrou um recorde histórico em 2025: 1.470 mulheres foram mortas por feminicídio, uma média de quatro assassinatos por dia.
A trend não é apenas "humor", mas o reflexo de crimes reais recentes:
Para Luciano Ramos, do Instituto Mapear, o conteúdo está ligado ao movimento red pill e à performance de práticas machistas para obter pertencimento em grupos digitais. "Os meninos buscam referências em outros homens. Esse conteúdo alimenta a ideia de que o machismo é uma norma", explica.
A repercussão chegou ao Congresso Nacional:
"Os referidos conteúdos violam nossas Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento de ódio ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma."
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