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Conheça mulheres do RN que mudaram a história do país na política, cultura e até nos campos de batalha

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O Rio Grande do Norte é berço de mulheres pioneiras que mudaram os rumos da política, da cultura, educação e ensinaram o Brasil a resistir  |   BNews RN - Divulgação Imagem gerada por IA
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 08/03/2026, às 06h00



Por trás das dunas, do sertão e do litoral ensolarado do Rio Grande do Norte, há uma marca histórica que vai muito além da geografia: o protagonismo feminino. Neste momento especial, em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o BNews Natal resgata e conta a história de potiguares pioneiras, que ensinaram o Brasil a eleger, resistir e governar. 

Desde o período colonial até os dias atuais, mulheres vêm rompendo barreiras sociais, políticas e culturais. Estamos falando de norte-rio-grandenses que realizaram feitos inéditos e que ecoaram por todo o país — e até mesmo pela América Latina.

De guerreiras indígenas a governadoras, passando por artistas, poetisas ultrarromânticas a educadoras inclusivas, o Rio Grande do Norte construiu uma tradição singular: a de antecipar o futuro quando o assunto é protagonismo feminino.

Enquanto o Brasil discutia direitos, o estado já os exercia. E essa talvez seja a maior curiosidade histórica: em um dos menores territórios do país, nasceram algumas das maiores revoluções silenciosas protagonizadas por mulheres. 

Celina Guimarães Viana: pioneira no voto feminino

Muito antes de o voto feminino se tornar realidade no país, uma professora nascida em Natal já escrevia seu nome na história. Em 1927, Celina Guimarães Viana (1890-1972) tornou-se a primeira mulher a se alistar como eleitora na América Latina. No ano seguinte, votou oficialmente em Mossoró, consolidando um marco democrático.

Celina Guimarães Viana nasceu no dia 15 de novembro de 1890, em Natal. Foi a primeira mulher a se alistar como eleitora na América Latina, em 1927. Professora, foi a primeira eleitora de que se tem registro oficial e inequívoco, no Brasil, ao votar em 5 de abril de 1928 na cidade de Mossoró, no interior do RN
Celina Guimarães Viana nasceu no dia 15 de novembro de 1890, em Natal. Foi a primeira mulher a se alistar como eleitora na América Latina, em 1927. Professora, foi a primeira eleitora de que se tem registro oficial e inequívoco, no Brasil, ao votar em 5 de abril de 1928 na cidade de Mossoró, no interior do RN

Alzira Soriano: primeira prefeita de um município brasileiro

Outra potiguar pisou ainda mais fundo no território até então exclusivo dos homens. Em 1928, Alzira Soriano (1897-1963) foi eleita prefeita de Lajes, tornando-se a primeira mulher a governar um município no Brasil e na América Latina. Era o sertão potiguar abrindo caminho para uma nova era na política.

Luíza Alzira Soriano Teixeira (1897-1963): Nasceu em 29 de abril de 1896 em Jardim de Angicos, no RN. Foi a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, eleita em 1928 no município de Lajes
Luíza Alzira Soriano Teixeira nasceu em 29 de abril de 1896 em Jardim de Angicos, no RN. Foi a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, eleita em 1928 no município de Lajes

Clara Camarão: primeira indígena a liderar um grupo de mulheres na resistência armada

Mas o pioneirismo feminino do estado não começou no século XX. Ainda no século XVII, durante as invasões holandesas, uma indígena potiguar liderou um grupo de mulheres na resistência armada. Clara Camarão entrou para a história como uma das primeiras guerreiras do Brasil, símbolo de bravura e liderança feminina em tempos de guerra.

Nísia Floresta: precursora do feminismo no Brasil

No campo das ideias, o nome que atravessou fronteiras foi o de Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810-1885). Nascida na antiga Vila de Papari — hoje município de Nísia Floresta — ela é considerada a precursora do feminismo no Brasil. Educadora e escritora, defendeu o direito das mulheres à educação e à cidadania quando esse debate ainda era impensável para muitos.

Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto. Ela nasceu em 12 de outubro de 1810 na Vila Papari, que posteriormente foi renomeada para Nísia Floresta em sua homenagem
Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto. Ela nasceu em 12 de outubro de 1810 na Vila Papari, que posteriormente foi renomeada para Nísia Floresta em sua homenagem

Maria do Céu Pereira Fernandes: primeira deputada estadual

A presença feminina potiguar também ecoou na Assembleia Legislativa. Em 1934, Maria do Céu Pereira Fernandes (1910-2001) foi eleita a primeira deputada estadual do Brasil. Ela recebeu 12.058 votos pelo Partido Popular, que era oposição a Getúlio Vargas. Ela era irmã do ex-governador Cortez Pereira, e foi considerada uma das melhores oradoras do Legislativo. 

Auta de Souza: primeira poetiza negra a romper barreiras de gênero

Na cultura, o pioneirismo ganhou voz e poesia com a macaibense Auta de Souza (1876-1901). Mulher negra, publicou em 1900 a obra Horto, rompendo barreiras literárias em uma sociedade marcada por preconceitos de gênero e raça.

Auta de Souza nasceu no dia 12 de setembro de 1876, em Macaíba. Poetisa, foi pioneira na literatura brasileira, rompendo barreiras de gênero, raça e região no final do século XIX. Mulher negra, nordestina e orfã, publicou a aclamada obra ultrarromântica Horto (1900), com prefácio de Olavo Bilac
Auta de Souza nasceu no dia 12 de setembro de 1876, em Macaíba. Poetisa, foi pioneira na literatura brasileira, rompendo barreiras de gênero, raça e região no final do século XIX. Mulher negra, nordestina e orfã, publicou a aclamada obra ultrarromântica Horto (1900), com prefácio de Olavo Bilac

Palmyra Wanderley: maior feminista do RN

Palmyra Guimarães Wanderley (1894-1978) foi uma pioneira no feminismo, jornalismo feminino e literatura no Rio Grande do Norte. Atuando nas primeiras décadas do século XX, ela é reconhecida como um dos nomes mais importantes na luta pela emancipação feminina na região.

Natalense, Palmyra foi fundadora e editora da revista Via-Láctea, em 1914, uma publicação pioneira no estado dedicada a temas femininos e escritos por mulheres, propondo a emancipação da mulher para além do papel doméstico. 

Ademilde Fonseca: “Rainha do Chorinho”

Ademilde Fonseca (1921-2012) foi uma cantora brasileira. Suas interpretações a consagraram como a maior intérprete do choro cantado, sendo considerada a "Rainha do Choro". Trabalhou por mais de dez anos na TV Tupi e seus discos renderam mais de meio milhão de cópias.

Ademilde Fonseca nasceu no dia 4 de março de 1921, em São Gonçalo do Amarante. Foi pioneira, criando um estilo especial para a interpretação do chamado "choro cantado", sendo considerada a "Rainha do Chorinho"
Ademilde Fonseca nasceu no dia 4 de março de 1921, em São Gonçalo do Amarante. Foi pioneira, criando um estilo especial para a interpretação do chamado "choro cantado", sendo considerada a "Rainha do Chorinho"

Dona Militana: maior romanceira do país

Dona Militana tornou-se a maior romanceira do país, guardiã da tradição oral nordestina. De origem humilde, negra, sem escolaridade, aprendeu a cantar romances ibéricos e nacionais com o seu pai, quando trabalhava na roça. Durante o trabalho, recitava de memória canções sobre histórias de reinos medievais, algumas com mais de 700 anos. 

Dona Militana (1925-2010): Dona Militana nasceu no dia 19 de março de 1925, no sítio Oiteiros, localizado no município de São Gonçalo do Amarante. Foi pioneira e a principal expoente do romanceiro tradicional no Brasil, sendo reconhecida como a maior romanceira do país.
Dona Militana (1925-2010): Dona Militana nasceu no dia 19 de março de 1925, no sítio Oiteiros, localizado no município de São Gonçalo do Amarante. Foi pioneira e a principal expoente do romanceiro tradicional no Brasil, sendo reconhecida como a maior romanceira do país.

Lucy Garcia Maia: primeira mulher a pilotar avião nos céus do RN

O pioneirismo também alcançou os céus. Lucy Garcia Maia foi a primeira mulher a pilotar avião no Rio Grande do Norte e incentivou a prática esportiva feminina em Natal. Iniciou a instrução de voo em julho de 1942.

Cercada de homens, seus colegas e instrutores, concluiu treze horas de instrução de vôo e recebeu o comando da aeronave, um Piper Cub J-3, para fazer o solo. Pelo regulamento do curso, Lucy Garcia dispunha de quinze minutos para fazer seu primeiro voo. Ela decolou da Base Aérea de Natal, atravessou a cidade e cruzou o rio Potengi, fazendo voos rasantes sobre a praia da Redinha.

Lucy Garcia Maia (1918–2001): Natural de Natal, foi a primeira mulher a pilotar avião no Rio Grande do Norte. Jogou tênis, vôlei, basquete e praticou até mesmo um esporte exclusivo para homens: o remo. Foi uma das fundadoras do Centro Desportivo Feminino, que incentivou a prática do esporte às mulheres natalenses.
Lucy Garcia Maia (1918–2001): Natural de Natal, foi a primeira mulher a pilotar avião no Rio Grande do Norte. Jogou tênis, vôlei, basquete e praticou até mesmo um esporte exclusivo para homens: o remo. Foi uma das fundadoras do Centro Desportivo Feminino, que incentivou a prática do esporte às mulheres natalenses.

Maria Gomes de Oliveira: primeira reitora de uma universidade pública

Natural de Apodi, Maria Gomes de Oliveira (1926-2015) nasceu no dia 30 de novembro de 1926. Tornou-se a primeira mulher a assumir a reitoria de uma universidade pública, no caso a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), reforçando a liderança feminina na educação superior.

Noilde Ramalho: pioneira na gestão educacional

Noilde Ramalho (1920–2010) foi uma educadora potiguar pioneira na gestão educacional, na valorização da educação feminina e no modelo de formação integral no Rio Grande do Norte. Ela é reconhecida por transformar a Escola Doméstica de Natal e criar um complexo educacional de destaque.

A professora Noilde Pessoa Ramalho nasceu em Nova Cruz no dia 19 de julho de 1920. Ingressou na Escola Doméstica em 1936, no 2º ano do Curso Doméstico, diplomando-se em 17 de novembro de 1939. Em março de 1945, assumiu a Direção da ED com apenas 25 anos de idade, na qual permaneceu e dedicou-se até o fim de sua vida. Também foi fundadora do Colégio Henrique Castriciano (1987) e da FARN (1999)
A professora Noilde Pessoa Ramalho nasceu em Nova Cruz no dia 19 de julho de 1920. Ingressou na Escola Doméstica em 1936, no 2º ano do Curso Doméstico, diplomando-se em 17 de novembro de 1939. Em março de 1945, assumiu a Direção da ED com apenas 25 anos de idade, na qual permaneceu e dedicou-se até o fim de sua vida. Também foi fundadora do Colégio Henrique Castriciano (1987) e da FARN (1999)

Wilma de Faria: primeira a governar Natal e o RN

A trajetória política de Wilma de Faria (1945-2017) é marcada por importantes conquistas, sendo a primeira mulher a ocupar os cargos de prefeita de Natal e de governadora do Rio Grande do Norte. Sua vida e carreira são lembradas pela relevância de suas conquistas e pelo impacto que tiveram na promoção da igualdade de gênero e na inclusão feminina na política.

Wilma de Faria (1945-2017). Nasceu em Mossoró no dia 17 de fevereiro de 1945. Conhecida como "A Guerreira", foi a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita de Natal, onde exerceu sua gestão em três mandatos: de 1989 a 1993 e de 1997 a 2000. E também foi a primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte, sendo eleita em 2002 e reeleita em 2006
Wilma de Faria (1945-2017). Nasceu em Mossoró no dia 17 de fevereiro de 1945. Conhecida como "A Guerreira", foi a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita de Natal, onde exerceu sua gestão em três mandatos: de 1989 a 1993 e de 1997 a 2000. E também foi a primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte, sendo eleita em 2002 e reeleita em 2006

Débora Seabra: primeira professora com Down da América Latina

O Rio Grande do Norte também é referência em inclusão. Em 2025, Débora de Araújo Seabra de Moura concluiu seu curso de magistério e tornou-se a primeira professora com síndrome de Down do Brasil e da América Latina, símbolo contemporâneo de superação e defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Débora de Araújo Seabra de Moura nasceu no dia 15 de julho de 1981, em Natal. É professora e escritora brasileira, reconhecida como a primeira professora com síndrome de Down do Brasil e da América Latina. Atua como defensora da inclusão de pessoas com deficiência
Débora de Araújo Seabra de Moura nasceu no dia 15 de julho de 1981, em Natal. É professora e escritora brasileira, reconhecida como a primeira professora com síndrome de Down do Brasil e da América Latina. Atua como defensora da inclusão de pessoas com deficiência

Titina Medeiros: pioneira no fortalecimento do teatro potiguar

Izabel Cristina de Medeiros, ou simplemente Titina Medeiros (1977–2026), foi uma influente atriz, produtora e diretora potiguar, reconhecida como uma figura pioneira na consolidação e no fortalecimento do teatro de grupo no Rio Grande do Norte. Ela teve papel fundamental na cena cultural de Natal, integrando e fundando grupos de destaque.

Talentosa, ficou conhecida nacionalmente por seus papéis cômicos e de imenso carisma no teatro e na televisão, destacando-se como a empreguete "Socorro", na novela Cheias de Charme, da TV Globo. Na emissora, ela também fez sucesso nas novelas Geração Brasil e Amor Perfeito, e em séries como Os Roni e Cangaço Novo. No teatro, Titina se destacou por integrar o grupo teatral Clowns de Shakespeare.

Titina Medeiros morreu aos 48 anos no domingo passado (11), em Natal. Apesar de ser natural de Currais Novos, passou a infância e praticamente toda a adolescência em Acari, na região Seridó do estado. Em Natal, iniciou o curso de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas as artes a abraçaram e ela optou por seguir a carreira de atriz.
Titina Medeiros morreu no dia 11 de janeiro de 2026, em Natal, aos 48 anos. Ela enfrentava um quadro de câncer no pâncreas. Apesar de ser natural de Currais Novos, passou a infância e praticamente toda a adolescência em Acari, na região Seridó do estado. Em Natal, iniciou o curso de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas as artes a abraçaram e ela optou por seguir a carreira de atriz.

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