Polícia

“Se não fossem os prints, a mentira iria seguir”: veja o que levou polícia a descobrir agressões no caso Henry

Tomaz Silva/Agência Brasil
Durante o julgamento, delegado detalha como mensagens da babá foram cruciais para a investigação da morte do menino Henry Borel  |   BNews RN - Divulgação Tomaz Silva/Agência Brasil
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 26/05/2026, às 17h34



O segundo dia do julgamento da morte do menino Henry Borel foi marcado pelo depoimento do delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso em 2021. Durante a sessão realizada nesta terça-feira (26), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele afirmou que mensagens encontradas no celular da babá da criança foram decisivas para desmontar a versão apresentada inicialmente pelos acusados.

Segundo o delegado, o caso chegou à polícia como um suposto acidente doméstico. No entanto, as primeiras informações do laudo cadavérico indicaram múltiplas lesões incompatíveis com uma queda da cama, versão apresentada por Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros.

Damasceno relatou que exames apontaram lesões graves no fígado, pulmão, rins e cabeça da criança, além de diversas marcas roxas pelo corpo. Uma reprodução simulada realizada no apartamento onde Henry vivia teria confirmado que os ferimentos não poderiam ter sido provocados por acidente doméstico.

Conversas da babá mudaram rumo da investigação

De acordo com o delegado, a principal virada da investigação ocorreu após a análise de prints de mensagens retiradas do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira. As conversas mostravam relatos de agressões anteriores sofridas pelo menino dentro da residência.

Em uma das mensagens, a babá relatava que Henry saiu mancando e reclamando de dores após permanecer sozinho em um quarto com Jairinho. Ainda segundo o depoimento, Monique foi avisada sobre a situação, mas demorou cerca de duas horas e meia para retornar ao apartamento.

O delegado afirmou ainda que as mensagens demonstravam que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho. Segundo ele, também foi identificado que pessoas próximas à família teriam sido orientadas a mentir durante a investigação.

Para recuperar conteúdos apagados, a perícia utilizou o software israelense Cellebrite, ferramenta usada por autoridades para extração e recuperação de dados de celulares.

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Pressão para evitar perícia e novas denúncias

Durante o depoimento, Damasceno também afirmou que Jairinho tentou pressionar o hospital onde Henry foi levado na madrugada da morte para evitar que o corpo fosse encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Segundo o delegado, o então vereador insistiu para que o hospital emitisse rapidamente o atestado de óbito, o que impediria a realização da perícia. “Ou vocês agilizam ou eu agilizo”, teria dito Jairinho, de acordo com o relato apresentado no júri.

O delegado ainda mencionou que outras duas ex-companheiras de Jairinho procuraram a polícia relatando episódios de agressões contra filhos delas. Em um dos casos, uma menina teria sido afogada pelo acusado. Em outro, um menino sofreu fratura no fêmur.

O julgamento segue no Rio de Janeiro e a expectativa é que dure cerca de cinco dias. A decisão final será tomada por sete jurados.

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