Polícia
Maria Ozanete Dantas, mãe da universitária Zaira Cruz, de 22 anos, reagiu à decisão do desembargador Cláudio Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que suspendeu temporariamente a exclusão do sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria dos quadros da corporação. O PM matou e estuprou a filha dela.
A manifestação foi feita em vídeo exclusivo enviado ao BNews RN. Veja a gravação abaixo:
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Zaira foi estuprada e assassinada durante o carnaval de 2019, no interior do Rio Grande do Norte. Em dezembro de 2025, Pedro Inácio foi condenado a 20 anos de prisão pelos crimes de homicídio e estupro. A pena foi estabelecida em 14 anos pelo homicídio e seis anos pelo estupro da jovem.
A exclusão do policial havia sido determinada pelo Comando-Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte em 17 de julho de 2026, após a condenação criminal.
A decisão do TJRN que suspendeu a exclusão do policial trata de uma questão administrativa e disciplinar e não representa revisão ou anulação da condenação criminal de Pedro Inácio pelos crimes cometidos contra Zaira.
A liminar foi concedida com base em argumento apresentado pela defesa de que o policial já havia recebido uma punição administrativa da própria Polícia Militar pelos mesmos fatos.
Segundo as informações divulgadas sobre a decisão, Pedro Inácio recebeu, em março de 2024, 30 dias de prisão disciplinar. A defesa argumentou que uma nova punição administrativa, com a exclusão do policial da corporação, poderia configurar bis in idem, princípio jurídico que impede a aplicação de mais de uma punição pelo mesmo fato.
Em caráter liminar, o desembargador Cláudio Santos considerou o argumento suficiente para suspender a exclusão e determinar a reintegração imediata de Pedro Inácio aos quadros da Polícia Militar.
No vídeo, Maria Ozanete fala sobre a dor provocada pela perda da filha e questiona a possibilidade de o homem condenado pelos crimes contra Zaira retornar às atividades profissionais.
“Como não questionar o retorno desse homem, desse assassino, desse estuprador ao trabalho?”, declarou.
A mãe afirmou respeitar a decisão da Justiça, mas ressaltou que continuará questionando a medida.
“Respeito, assim, a decisão da Justiça, mas não deixo de questionar, porque um estuprador, um assassino vai trabalhar nas ruas”, afirmou.
Maria Ozanete também questionou a sensação de segurança que a decisão pode provocar em outras famílias.
“Como mãe, como mulher, como cidadã, me pergunto que mensagem estamos passando para essas famílias. Que segurança nós vamos ter?”, declarou.
Para ela, a luta pela memória de Zaira também representa uma defesa da dignidade de outras vítimas e de suas famílias.
“Minha luta não é apenas por Zairinha, é pela dignidade da minha filha, é pela dignidade de outras vítimas e que as outras famílias, que muitas mães, que muitos pais não passem pelo que a gente tem passado”, afirmou.
Ao final do depoimento, Maria Ozanete reafirmou que a filha jamais será esquecida.
“Minha filha jamais será esquecida. Ela ultrapassou o mundo de forma grandiosa e jamais será esquecida. Quero que ela saiba que eu amo ela de todo o meu coração.”
A liminar concedida pelo TJRN é provisória e diz respeito à situação administrativa e disciplinar do policial na Polícia Militar. A medida não equivale à absolvição e não anula a condenação criminal de 20 anos imposta a Pedro Inácio.
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