Polícia
por Redação
Publicado em 31/07/2026, às 08h28 - Atualizado em 04/08/2026, às 11h59
Onze presos estão sendo procurados pelas forças de segurança após uma fuga registrada na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, localizada no distrito de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal.
A ocorrência foi identificada por volta das 5h30 da manhã desta sexta-feira (31) durante o monitoramento das câmeras de vigilância da unidade.
Segundo a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) e a Polícia Penal do Rio Grande do Norte, 13 internos conseguiram deixar uma cela do Pavilhão D e acessar a área externa do presídio. Dois deles foram recapturados ainda dentro da unidade prisional, enquanto outros 11 conseguiram fugir.
Como aconteceu a fuga
Novas informações divulgadas pela Polícia Penal detalham a dinâmica da fuga registrada na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga. Segundo a corporação, os internos retiraram um vaso sanitário de concreto e alumínio da cela e utilizaram a abertura para escavar uma passagem pela tubulação da unidade.
Ao todo, 13 presos conseguiram deixar a cela. Após percorrerem o trajeto, os detentos alcançaram a área externa do presídio e escalaram a muralha.
As câmeras de monitoramento registraram parte do grupo já do lado de fora da unidade. Com a movimentação identificada, o sistema de alarme foi acionado e equipes de plantão iniciaram a resposta imediata.
Dois dos fugitivos foram recapturados ainda dentro do complexo prisional. Os outros 11 presos conseguiram escapar e continuam sendo procurados pelas forças de segurança.
Câmeras registraram toda a ação
De acordo com a Polícia Penal, a movimentação foi percebida pelos policiais penais responsáveis pelo monitoramento eletrônico da penitenciária.
As imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que os internos deixaram a cela e alcançaram a área externa do complexo prisional.
A rápida atuação das equipes permitiu a captura de dois detentos ainda dentro do presídio, mas os demais conseguiram escapar antes do cerco ser concluído.
Informações preliminares, ainda não confirmadas oficialmente pela Seap, apontam que os presos teriam aberto um buraco em uma das paredes da cela para viabilizar a fuga.
Também circula a informação de que os fugitivos seriam integrantes de uma facção criminosa do Rio de Janeiro. As duas informações ainda serão apuradas pelas autoridades.
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Forças de segurança montam operação
Logo após a confirmação da fuga, uma grande operação foi iniciada para localizar os detentos.
Equipes da Polícia Penal, Polícia Militar e demais forças de segurança realizam diligências na região de Alcaçuz e em áreas próximas ao município de Nísia Floresta.
Os helicópteros Potiguar 1 e Potiguar 2, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), foram mobilizados para reforçar as buscas aéreas pelos foragidos.
As diligências seguem durante toda a manhã e não há, até o momento, registro de novas recapturas.
Quem são os presos foragidos
Os 11 detentos que permanecem foragidos foram identificados como:
Lista de detentod foragidos
A lista divulgada pelas autoridades contém 12 nomes, embora a Seap e a Polícia Penal informem oficialmente que 11 presos permanecem foragidos, já que dois dos 13 internos que deixaram a cela foram recapturados.
A reportagem do BNews RN aguarda esclarecimento oficial sobre a divergência e atualizará esta matéria assim que houver confirmação.
Buscas continuam
As forças de segurança permanecem mobilizadas para localizar os fugitivos. Barreiras e diligências foram intensificadas em estradas e áreas de mata próximas à penitenciária.
A reportagem do BNews RN acompanha o caso em tempo real e atualizará esta matéria conforme novas informações forem divulgadas pelas autoridades.
Maior fuga da história de Alcaçuz: 34 presos escaparam da penitenciária em 2015 após uso de túnel
A fuga registrada nesta sexta-feira (31) na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, reacendeu a lembrança de outros episódios históricos no sistema prisional do Rio Grande do Norte.
Entre eles, está a maior fuga já registrada na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, quando 34 detentos conseguiram escapar da unidade na madrugada de 22 de abril de 2015.
Na ocasião, a Coordenação da Administração Penitenciária (Coape) confirmou que os presos utilizaram um túnel para deixar o presídio. Ainda durante a manhã do mesmo dia, dois fugitivos foram recapturados, mas a ocorrência entrou para a história como a maior evasão já registrada em Alcaçuz.
A maior fuga da história de Alcaçuz
O episódio superou outro registro ocorrido apenas 16 dias antes. Em 6 de abril de 2015, 32 presos já haviam conseguido fugir da unidade, também utilizando um túnel.
Segundo a Coape, na fuga de 22 de abril os detentos aproveitaram a mesma entrada do túnel descoberta no início do mês, mas seguiram por um trajeto diferente para conseguir deixar o complexo penitenciário.
As autoridades confirmaram o uso da estrutura subterrânea, porém não divulgaram detalhes sobre a dinâmica da fuga nem como o grupo conseguiu ultrapassar o sistema de segurança.
66 presos escaparam em apenas 16 dias
As duas ocorrências registradas em abril de 2015 transformaram aquele período em um dos mais críticos da história do sistema penitenciário potiguar.
No intervalo de apenas 16 dias:
Na época, Alcaçuz já contava com reforço da Força Nacional, sendo uma das unidades prisionais do Rio Grande do Norte que recebiam apoio federal na vigilância.
Invasão do bando de Valdetário também marcou Alcaçuz
Antes das fugas de abril de 2015, o episódio mais marcante envolvendo Alcaçuz havia ocorrido em 6 de novembro de 2000.
Na ocasião, integrantes do grupo criminoso liderado por Valdetário Carneiro invadiram a penitenciária e libertaram o próprio líder, além de outros 28 detentos, em uma das ações criminosas mais ousadas já registradas no estado.
Maior fuga do sistema prisional do RN ocorreu em 2012
Embora a fuga de 34 presos seja a maior da história de Alcaçuz, ela não representa o maior registro do sistema penitenciário potiguar.
Esse título pertence à Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, conhecida à época como Pavilhão 5, onde 41 detentos escaparam em janeiro de 2012.
Apesar de integrar o complexo prisional localizado em Nísia Floresta, a unidade possui administração própria e independente de Alcaçuz.
Histórico expõe desafios da segurança prisional
Os episódios registrados ao longo dos últimos anos evidenciam os desafios enfrentados pelo sistema penitenciário do Rio Grande do Norte no combate às fugas e no fortalecimento da segurança das unidades prisionais.
As ocorrências também demonstram que, apesar dos investimentos em vigilância e do reforço das forças de segurança, episódios de grande repercussão continuaram a marcar a história do sistema carcerário potiguar.
Fragilidades e fugas importantes
09.02.1997
Projetada para 400 homens, obras são retomadas numa área de 17 hectares ao custo anunciado de R$ 10 milhões.
13.08.1997
Ministério da Justiça assegura R$ 2 milhões para compra de equipamentos de segurança para Alcaçuz.
03.10.1997
Sem construir um presídio há 30 anos, o Governo do Estado anuncia a inauguração de Alcaçuz para janeiro de 1998.
14.01.1998
Igor de Mesquita Pípolo, de 27 anos, é anunciado como diretor da nova e maior unidade prisional do estado.
27.03.1998
Inaugurada pelo governador Garibaldi Alves, Alcaçuz tem pisos reforçados que impediriam a escavação de túneis.
31.03.1998
Na transferência de 30 presos da João Chaves falta energia em Alcaçuz. Assassinos, traficantes e sequestradores ocupam celas.
26.07.1998
Quatro meses após inaugurada, a primeira fuga. Otacílio Soares da Costa, considerado preso de confiança, sai pela porta da frente para consulta médica e foge.
26.08.1998
Cláudio Bandeira e Edvaldo Costa de Faria saem escoltados para um posto médico e fogem no retorno para a penitenciária.
08.11.1998
Severino Ramos e Isaac Laurentino fogem pulando o muro usando terezas. Secretaria de Segurança diz que Alcaçuz não é de segurança máxima.
28.04.1999
Onze aproveitam a falta de sentinelas e fogem do Pavilhão 2 usando terezas. Das 11 guaritas, três funcionavam na hora da fuga.
14.07.1999
Mais oito presos fogem, em menos de três meses, do Pavilhão 2 usando terezas. Somente quatro guaritas estavam guarnecidas.
22.10.1999
Presos tentam fugir e não conseguem. Iniciam motim e fazem três agentes reféns. Ninguém morreu.
04.07.2000
Antônio Carlos Correia e os comparsas Nildo Alves e Jailson Serra fogem escondidos no carro que distribua leite ao presídio.
06.11.2000
Valdetário Carneiro e mais 28 presos fogem. Agentes e policiais foram surpreendidos por grupo armado de metralhadora e fuzis. Um preso morre na ação e um policial fica gravemente ferido. Diretor é exonerado e denunciado à Justiça por facilitação.
12.11.2000
Ministério da Justiça aponta falhas na construção das guaritas em Alcaçuz e sugere a ligação delas por passarelas.
10.08.2001
Pavilhões 1 e 2 se rebelam reclamando das medidas impostas para a revista íntima das companheiras.
22.03.2002
No Pavilhão 2, agentes apreendem dinamite, celulares, maconha e anotações para um assalto a banco.
06.07.2002
Salviano Araújo, João B. Ribeiro, José E. de S. Lima, Magno B. Ventura e Oraci B. Gadelha serram grades e fogem do Pavilhão 1.
13.05.2003
Francisco Canindé de S. Silva tenta fugir vestido de mulher. Com peruca e salto, o preso só foi reconhecido por causa da barba.
16.08.2003
Túnel de 30m de comprimento por 5m de largura ligava o Pavilhão 1 ao muro foi descoberto pelos agentes.
16.09.2003
Policiais túnel no Pavilhão 3 e abortam plano de fuga.
09.03.2004
Detentos do Pavilhão 2 se rebelam e tomam três agentes como reféns. As vítimas são liberadas após sete horas de negociação.
29.04.2004
Aproximadamente 90 presos do Pavilhão 1 se rebelam e fazem 24 reféns, entre agentes e mulheres em visita.
01.05.2004
Maior rebelião dura 41 horas. Polícia e agentes dominaram a situação com uso da força e intensa negociação.
07.05.2004
Falta de sentinelas facilita fuga de presos de Alcaçuz. Sete homens conseguem liberdade pulando o muro da unidade.
01.02.2005
Rebelião termina com tentativa de fuga. Quatro detentos morrem após confronto com sentinelas e agentes.
28.04.2005
Três presos fogem do Pavilhão 1 usando terezas.
02.11.2005
Agentes descobrem túnel de 15m de comprimento por 2m de largura no Pavilhão 3. Areia foi escondida no teto.
25.04.2006
Agentes descobrem túnel de 7m de comprimento no Pavilhão 1.
30.04.2006
Seis presos do Pavilhão 3 fogem pulando o muro.
03.08.2006
Rafael Abat e André Luiz Fernandes, do Pavilhão 1, fogem após serrarem grades e pular o muro.
17.07.2007
Dez presos do Pavilhão 4 fogem após serrarem grades e pularem muro.
06.09.2008
Agentes descobrem túnel de 3m de profundidade no Pavilhão 1.
14.11.2008
Agentes abortam fuga de presos do Pavilhão 1.
12.12.2008
Agentes frustram fuga de presos do Pavilhão 3.
19.12.2008
Valdgley Souza do Nascimento escapa do presídio pelo telhado da administração.
10.06.2009
Presos dos pavilhões 3 e 4 cavaram buracos interligando 5 celas e 1 túnel com 6m de comprimento.
26.06.2009
Quatro perigosos presos se aproveitaram a falta vigilância nas guaritas e pularam o muro com a ajuda de uma escada de cordas.
15.09.2009
Túnel de cerca de 5m de largura e 10m de profundidade foi descoberto no Pavilhão 4.
17.01.2010
Quinze presos do Pavilhão 4 fogem usando túnel de 20m de comprimento e 3m de profundidade.
05.05.2010
Sete presos fogem do Pavilhão 4 usando o mesmo túnel da fuga de janeiro.
24.06.2010
Cinco presos fogem do Pavilhão 4 usando mesma estrutura de túnel das fugas anteriores.
29.09.2011
Nove presos fogem por túnel no Pavilhão 4. Estrutura havia sido descoberta e não foi fechada.
10.01.2012
Mais quatro homens fogem de Alcaçuz e Sejuc assume não dispor de dinheiro para fechar túneis corretamente.
21.01.2012
Quarenta e um homens fogem do Pavilhão de Segurança Máxima erguido dentro de Alcaçuz. É a maior fuga em massa da história.
03.02.2012
Túnel conhecido no Pavilhão 1 é mais uma vez usado por seis presos para fuga.
08.06.2012
Dois homens escapam usando "terezas".
27.06.2012
Doze homens fogem do Pavilhão 3. O ano de 2012 registra recorde de fugas em Alcaçuz.
05.09.2012
Rivanildo Firmino morre soterrado num túnel no Pavilhão 1 que desabou enquanto tentava fugir. Resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros após horas de escavação.
29.11.2012
Túnel de 15m de comprimento foi descoberto no Pavilhão 2.
10.12.2014
Descoberta de caverna subterrânea no Pavilhão 1 de Alcaçuz é anunciada. Estrutura liga todas as celas do pavimento 1 da ala e consumiu mais de uma década de trabalho dos presos.
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