Polícia
por José Nilton Jr.
Publicado em 01/08/2026, às 10h00
A fuga de 11 detentos da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, no Complexo de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na manhã da última sexta-feira (31), voltou a colocar em pauta os protocolos de segurança adotados pelo sistema prisional do Rio Grande do Norte para responder a ocorrências desse tipo.
De acordo com a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), a resposta à fuga seguiu procedimentos previstos em planos de contingência específicos elaborados para cada uma das 18 unidades prisionais do Estado. Os documentos estabelecem as ações que devem ser adotadas em situações excepcionais, como motins, rebeliões e fugas.
A pasta esclarece que a ocorrência foi identificada às 5h22 por meio do sistema de monitoramento da unidade. Além das câmeras instaladas no presídio, o sistema prisional conta com uma central de monitoramento que acompanha as imagens das unidades. Assim que os policiais penais perceberam a movimentação dos presos fora das celas, o alarme foi acionado e teve início a resposta operacional.
Registro feito pelos policiais após a fuga: Vídeo: Divulgação/Seap
A ação imediata permitiu que dois dos 13 internos que deixaram a cela fossem recapturados ainda dentro da penitenciária. Os outros 11 conseguiram alcançar a área externa e permanecem foragidos.
A Seap informou que, uma vez confirmada a fuga, o protocolo prevê o acionamento integrado das forças de segurança pública. Participaram das buscas equipes da Polícia Penal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Guarda Municipal de Parnamirim.
Aeronaves do Governo do RN ajudaram nas buscas pelos fugitivos. Vídeo: Divulgação/Sesed
Também foram empregadas as duas aeronaves do Governo do Estado, Potiguar 01 e Potiguar 02, para auxiliar nas buscas pelos fugitivos.
Após a fuga, surgiram questionamentos sobre os procedimentos de fiscalização dentro da unidade. Ao ser questionada pelo BNews RN, a Secretaria informou que as revistas são realizadas periodicamente, tanto por iniciativa das direções das unidades quanto da Direção-Geral da Polícia Penal.
Registro feito pelos agentes após a fuga dos detentos. Vídeo: Divulgação/Seap
A pasta destacou que operações de fiscalização acontecem regularmente no sistema prisional. Como exemplo, informou que, há cerca de duas semanas, foi realizada uma operação na própria Penitenciária Rogério Coutinho Madruga com o objetivo de localizar aparelhos eletrônicos ou outros materiais proibidos. Nada foi encontrado, segundo a Seap.
Além disso, a Secretaria reforçou que as unidades prisionais do Estado seguem as resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinam, entre outras medidas, a inexistência de fornecimento de energia elétrica nas celas.
Além das buscas pelos foragidos, a fuga dará origem a uma série de procedimentos administrativos e criminais.
Segundo a Secretaria, a Polícia Científica é responsável pela perícia no local para identificar como ocorreu a evasão, enquanto a Polícia Civil conduz a investigação criminal sobre o caso.
Paralelamente, a Corregedoria do Sistema Penitenciário instaurará procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da fuga, verificar eventual responsabilidade funcional e avaliar possíveis falhas operacionais.
Ao comentar os índices do sistema penitenciário estadual, a Seap afirmou que houve uma redução significativa no número de fugas nos últimos anos.
De acordo com dados apresentados pela Secretaria, entre 2015 e 2019 foram registradas 877 fugas de presos no sistema prisional potiguar. Já no período entre 2019 e 2026, o número caiu para 47 ocorrências.
Ainda de acordo com a pasta, aproximadamente 80% dos presos que fugiram nesse período mais recente foram recapturados pelas forças de segurança.
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