Polícia
por José Nilton Jr.
Publicado em 01/09/2026, às 13h54
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) realizou, nesta terça-feira (1º), a Operação "Debitum Aeternum" para desarticular um grupo suspeito de praticar estelionato contra idosos e outras pessoas em situação de vulnerabilidade no município de Macau. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão e três de busca e apreensão domiciliar contra um casal, formado por um homem de 28 anos e uma mulher de 38 anos de idade.
As investigações apontam que os suspeitos estariam envolvidos em uma atuação criminosa contínua e organizada, com práticas que incluem estelionato, falsificação e uso de documentos falsos. O esquema teria como principais alvos aposentados, pensionistas e servidores públicos que buscavam contratar empréstimos.
Vídeo: Divulgação/PCRN
De acordo com a apuração policial, o grupo cobrava taxas que não estavam previstas nos contratos e utilizava diferentes mecanismos para dificultar a identificação dos responsáveis pelas operações.
A investigação reuniu depoimentos de vítimas e testemunhas, além de documentos e comprovantes bancários que, segundo a Polícia Civil, reforçaram os indícios de autoria e materialidade dos crimes.
Um laudo pericial também confirmou a falsificação integral da carteira de identidade de uma idosa. Os investigadores identificaram ainda relatos de falsificação de assinaturas e documentos utilizados em contratos, inclusive com auxílio de aparelhos celulares.
Outro recurso apontado na investigação teria sido a criação de empreendedores individuais fictícios. A estratégia teria como finalidade dificultar a identificação da empresa responsável pelas operações e dos envolvidos no esquema.
Segundo os investigadores, a mulher teria como função realizar a cobrança das taxas consideradas ilegais e gravar vídeos nos quais os clientes supostamente concordavam com os pagamentos. Depoimentos de vítimas também relataram descontos indevidos, alterações ou falsificações em documentos contratuais e retenção irregular de valores.
Ainda conforme a apuração, o homem seria responsável pela captação de clientes e pelo recebimento das taxas cobradas. Parte dos valores teria sido depositada em contas bancárias pessoais, conforme indicam comprovantes anexados ao procedimento investigativo.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais recolheram documentos, contratos, fichas cadastrais, documentos de identificação, comprovantes de pagamentos, registros de cobranças e aparelhos eletrônicos.
O material deverá ser analisado para esclarecer a dinâmica das operações, identificar eventuais outros envolvidos e dimensionar a extensão dos crimes investigados.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário dos investigados para aprofundar a análise das movimentações financeiras relacionadas ao suposto esquema.
Também foi determinada a indisponibilidade de valores mantidos nas contas dos suspeitos. A medida tem como objetivo preservar recursos que possam ser utilizados futuramente para uma eventual reparação dos prejuízos provocados às vítimas.
O nome da operação, "Debitum Aeternum", faz referência ao suposto mecanismo de cobrança de taxas abusivas que, segundo as investigações, poderia prolongar o endividamento das vítimas. Com descontos realizados diretamente sobre salários ou benefícios, os débitos poderiam permanecer por longos períodos.
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