A atividade industrial do Rio Grande do Norte voltou a registrar crescimento em março após um fevereiro de retração. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram avanço em três dos quatro setores pesquisados no estado, com destaque para a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que teve alta de 101,2% na comparação com março do ano passado.
Além do setor de vestuário, as indústrias extrativistas cresceram 12,6%, enquanto a fabricação de produtos alimentícios avançou 3,0%. Os números fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional (PIM-PF Regional), divulgada nesta terça-feira (13).
Segundo Bernardo Almeida, analista da pesquisa, o desempenho positivo do setor de confecções foi impulsionado principalmente pela produção de calças, bermudas, shorts, camisas e blusas. Já no segmento extrativista, a produção de gás natural teve influência direta no crescimento observado no período.

Setor de combustíveis
O único segmento industrial que manteve resultado negativo em março foi o de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que apresentou queda de 21,1% na produção.
Mesmo com o avanço de parte das atividades industriais, a indústria geral potiguar acumulou retração de 5,1% no mês. O resultado reflete o impacto do desempenho negativo do setor ligado à produção de combustíveis. No setor alimentício, os produtos que mais contribuíram para o crescimento foram balas, confeitos sem cacau e sal refinado e iodado, segundo o IBGE.
Apesar da recuperação observada em março, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 ainda mostra cenário de queda para a maior parte das atividades industriais do estado.
As indústrias extrativistas acumulam retração de 9,5% no ano, enquanto a fabricação de produtos alimentícios registra queda de 7,3%. Já o setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis amarga recuo de 30,6%. A única atividade industrial com crescimento acumulado no ano foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, com alta de 36,9%.
Pesquisa aponta impacto
Com os resultados do primeiro trimestre, o Rio Grande do Norte acumulou a maior queda industrial do país em 2026, com retração de 19,2%, segundo o IBGE.
O desempenho negativo foi pressionado principalmente pela atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, especialmente pela redução na produção de óleo diesel. A PIM-PF Regional acompanha indicadores de curto prazo das indústrias extrativas e de transformação em 17 estados brasileiros e em toda a Região Nordeste. A próxima divulgação está prevista para 10 de junho.