Negócios
por José Nilton Jr.
Publicado em 17/03/2026, às 13h35
O percentual de famílias com contas em atraso no Rio Grande do Norte apresentou uma queda significativa em fevereiro deste ano em comparação ao mesmo período de 2025. Esse dado provém da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e analisada pelo Instituto Fecomércio RN.
A taxa de inadimplência foi registrada em 29,9%, uma redução de 7,9 pontos percentuais em relação a fevereiro de 2025. Apesar da melhora, o nível de endividamento das famílias potiguares segue elevado.
De acordo com o levantamento, 84,6% dos lares possuem algum tipo de dívida ativa, o que ainda compromete a capacidade de consumo e dificulta novas compras a prazo.
De acordo com o Instituto Fecomércio RN, a redução da inadimplência está diretamente relacionada ao esforço das famílias para reorganizar as finanças no início do ano.
Entre os fatores que contribuíram para esse cenário estão o pagamento de débitos atrasados, renegociações e uma postura mais cautelosa no uso do crédito. Mesmo assim, a renda ainda pressionada mantém o nível de endividamento em patamar elevado no estado.
Diante desse cenário, o varejo tem sido levado a adotar novas estratégias para manter o volume de vendas.
Especialistas apontam a necessidade de reforçar análises de risco e oferecer alternativas mais seguras, como parcelamentos com prazos menores ou condições sem juros. Além disso, cresce a busca por soluções como crédito próprio e modelos mais acessíveis ao consumidor.
Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, os dados indicam avanço na capacidade de pagamento das famílias.
Segundo ele, a redução da inadimplência demonstra um esforço consistente da população para regularizar pendências financeiras. Ainda assim, o alto nível de endividamento exige cautela por parte do mercado e dos consumidores.
A combinação de inadimplência em queda e endividamento elevado gera efeitos distintos na economia.
Por um lado, a regularização de dívidas pode abrir espaço para um leve aumento no consumo, especialmente em setores que trabalham com vendas parceladas.
Por outro, o comprometimento da renda limita novas contratações de crédito e impõe ajustes tanto para lojistas quanto para instituições financeiras.
Nesse contexto, empresas e prestadores de serviços devem equilibrar crescimento e segurança, apostando em estratégias que incentivem o consumo sem ampliar o risco de novos atrasos.
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