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Publicado em 13/03/2026, às 13h21 Reprodução/Freepik Giovana Gurgel
O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível já registrado no país. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 80,2% dos lares tinham algum tipo de dívida em fevereiro deste ano.
O índice supera o registrado no mesmo período do ano passado e também apresenta avanço em relação a janeiro. Há doze meses, o percentual era de 76,4%. No primeiro mês de 2026, o indicador estava em 79,5%.
O levantamento considera como endividamento compromissos financeiros como cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheque pré-datado e financiamentos de veículos ou imóveis.
Além do aumento do endividamento, a pesquisa aponta nova alta no número de famílias que estão com contas em atraso. O índice de inadimplência chegou a 29,6% dos entrevistados.
O resultado interrompe uma sequência de três meses de recuo nesse indicador e representa o maior patamar desde novembro do ano passado, quando o percentual havia atingido 30%.
Apesar da elevação, houve leve redução no grupo de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas atrasadas. Esse índice caiu 0,1 ponto percentual, alcançando 12,6% em fevereiro.
A parcela de brasileiros que declarou não possuir qualquer tipo de dívida também apresentou retração no levantamento mais recente.
Segundo os dados da CNC, apenas 19,7% dos entrevistados afirmaram não ter débitos em aberto. Em janeiro, esse grupo representava 20,5% das famílias pesquisadas, indicando que mais consumidores passaram a recorrer ao crédito no período.
O estudo mostra que o avanço das dívidas ocorreu em todas as faixas de renda analisadas pela pesquisa.
O crescimento mais expressivo foi registrado entre famílias com renda superior a cinco salários mínimos, embora os maiores níveis de endividamento permaneçam nas faixas de menor renda.
Entre os grupos analisados, 82,9% das famílias com renda de até três salários mínimos declararam possuir dívidas. O mesmo percentual foi observado entre aqueles que recebem de três a cinco salários mínimos.
Nas faixas de renda intermediária e mais elevada, os percentuais continuam menores, mas também apresentaram crescimento. Entre famílias que recebem de cinco a dez salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 78,7%.
Já entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, 69,3% declararam possuir algum tipo de dívida ativa.
Outro dado relevante do levantamento é o nível de comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas.
A parcela de consumidores que destina mais da metade da renda mensal para quitar débitos permaneceu estável em 19,5%, após dois meses seguidos de aumento. Para a maioria das famílias, o comprometimento da renda com dívidas varia entre 11% e 50%, cenário que atinge 56,1% dos entrevistados.
Considerando todos os entrevistados, o percentual médio da renda comprometida com dívidas ficou em 29,7% em fevereiro. O resultado é semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o indicador estava em 29,9%.
Os dados reforçam o alerta sobre o avanço do crédito e da inadimplência no país, cenário que pressiona o orçamento doméstico e pode afetar o consumo nos próximos meses.
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