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Da loja ao turismo: como a inteligência artificial está mudando a economia potiguar

Canindé Soares/Ministério do Turismo
Na avaliação de Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, a tecnologia é uma das forças por trás da atual transformação econômica potiguar  |   BNews RN - Divulgação Canindé Soares/Ministério do Turismo
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 15/08/2026, às 14h00 - Atualizado em 17/08/2026, às 15h25



A inteligência artificial começa a deixar de ser uma tecnologia restrita ao universo das grandes empresas e passa a ocupar espaço estratégico na economia do Rio Grande do Norte. No estado, a transformação aparece principalmente na modernização de atividades já consolidadas, como comércio, serviços e turismo, ao mesmo tempo em que abre caminho para novos modelos de negócios e segmentos ligados à economia digital.

Na avaliação de Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, a tecnologia é uma das forças por trás da atual transformação econômica potiguar. O cenário acontece em um momento de expansão da economia estadual: a projeção do Banco do Brasil citada pela entidade aponta crescimento de 2,6% do PIB do Rio Grande do Norte em 2026, acima dos 2% estimados para a economia brasileira. Se confirmada, será a sexta alta anual consecutiva.

Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio. Foto: Divulgação/Fecomércio RN
Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio. Foto: Divulgação/Fecomércio RN

Para Queiroz, porém, o crescimento não se resume aos números. A mudança mais profunda está na maneira como setores tradicionais incorporam tecnologia para ganhar eficiência e competitividade. "Essa transformação ocorre principalmente pela incorporação de tecnologia e novos modelos de negócio a setores consolidados, como comércio, serviços e turismo", explicou. 

É justamente nesse processo que a inteligência artificial ganha protagonismo. Segundo o presidente da Fecomércio RN, uma "nova economia potiguar" não significa necessariamente o surgimento de atividades completamente desvinculadas das vocações históricas do estado. O movimento está, sobretudo, na modernização dessas atividades.

"A nova economia potiguar representa a modernização das vocações econômicas do estado. Esse movimento envolve a digitalização do comércio e dos serviços, o uso da inteligência artificial, a adoção de novos modelos de negócio e um turismo mais diversificado e conectado ao mercado internacional."

Foto: Reprodução/Hold Brasil
Foto: Reprodução/Hold Brasil

IA como ferramenta de competitividade

No comércio e nos serviços, a inteligência artificial pode ser utilizada para automatizar processos, analisar dados, apoiar decisões e compreender melhor o comportamento dos consumidores. Para a Fecomércio RN, esse avanço pode representar um ganho de produtividade para empresas potiguares e uma oportunidade de tornar negócios locais mais competitivos.

A entidade também vem desenvolvendo iniciativas próprias nessa direção. Um dos exemplos citados por Marcelo Queiroz é o Agentcom, assistente virtual baseado em inteligência artificial desenvolvido pela Faculdade Senac RN. A ferramenta foi concebida para apoiar empresários na tomada de decisões, oferecendo recomendações personalizadas, planos de ação e aplicação prática de tendências do varejo.

A IA foi desenvolvida para ajudar empresários. Foto: Reprodução/Senac
A IA foi desenvolvida para ajudar empresários. Foto: Reprodução/Senac

A iniciativa mostra como a IA pode ser incorporada não apenas como uma ferramenta operacional, mas também como apoio à gestão dos negócios. Para Queiroz, o avanço dos negócios digitais e das startups representa uma oportunidade estratégica para o estado, especialmente porque a tecnologia pode aproximar inovação e setores que historicamente possuem forte participação na economia potiguar.

"Os investimentos em sistemas, tecnologia da informação e inteligência artificial contribuem para elevar a produtividade, melhorar processos e ampliar a competitividade das empresas potiguares", disse. 

Comércio tradicional diante de uma nova realidade

Um dos setores diretamente impactados pela transformação é o comércio. Lojas físicas, empresas de serviços e negócios que atuam no ambiente digital passam a disputar consumidores em um mercado no qual dados, automação e ferramentas de inteligência artificial ganham cada vez mais importância.

Foto: Reprodução/O Poti News
Foto: Reprodução/O Poti News

A avaliação da Fecomércio RN é que o comércio tradicional está se adaptando, mas a velocidade da transformação exige atualização permanente. "Ferramentas baseadas em inteligência artificial, automação e análise de dados já fazem parte da rotina do setor, tornando indispensável o desenvolvimento de novas competências."
A mudança, portanto, não envolve apenas a adoção de máquinas ou softwares. Ela também altera o perfil profissional exigido pelas empresas.

Nesse cenário, conhecimentos técnicos precisam caminhar junto a competências comportamentais e capacidade de adaptação. Para Marcelo Queiroz, a qualificação profissional passa a ocupar posição central nessa equação. "Acreditamos que a tecnologia amplia oportunidades para quem investe em qualificação contínua, tornando a educação profissional um fator decisivo para a competitividade das empresas e a empregabilidade dos trabalhadores", pontuou. 

Turismo também entra na transformação

Outro setor estratégico para o Rio Grande do Norte é o turismo. A atividade registrou crescimento de 0,7% entre janeiro e maio de 2026, segundo os dados apresentados pela Fecomércio RN, enquanto o país teve retração de 0,1% no mesmo período.

Outro setor estratégico para o Rio Grande do Norte é o turismo. Foto: Reprodução/ACCE Tour
Outro setor estratégico para o Rio Grande do Norte é o turismo. Foto: Reprodução/ACCE Tour

O avanço da conectividade aérea reforça esse cenário. De acordo com os números citados pela entidade, o fluxo de passageiros no Aeroporto Internacional de Natal cresceu 18,6% entre janeiro e maio, com alta de 96,3% no movimento internacional.

Nesse contexto, a tecnologia pode contribuir para tornar o destino mais conectado ao mercado internacional e ajudar empresas do setor a compreender melhor os perfis dos visitantes, personalizar experiências e desenvolver novos produtos turísticos.
A estratégia, entretanto, passa também pela diversificação.

Além do tradicional turismo de sol e mar, a Fecomércio RN identifica potencial em segmentos como turismo cultural, gastronômico e de eventos. Essas atividades podem ampliar o impacto econômico do turismo ao envolver diferentes cadeias produtivas e distribuir melhor o fluxo de visitantes pelo estado.

O que é esperado para a próxima década

A perspectiva apresentada por Marcelo Queiroz é de que a transformação  no Rio Grande do Norte seja diversificada e competitiva, combinando vocações tradicionais e novas oportunidades relacionadas à inovação. 

Entre os potenciais apontados estão a produção de energia limpa, projetos de hidrogênio verde e a instalação de data centers, além da expansão da mineração. "O Rio Grande do Norte reúne condições para avançar em uma economia mais diversificada e competitiva." Para transformar esse potencial em crescimento sustentável, entretanto, o presidente da Fecomércio RN destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura, conectividade aérea, rodovias e melhoria do ambiente de negócios.

A equação que se desenha para a economia potiguar, portanto, combina fatores tradicionais, como comércio, serviços e turismo, alinhado com tecnologia, inovação e qualificação profissional. Nesse processo, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma promessa para o futuro e começa a se consolidar como uma ferramenta capaz de modificar a forma como empresas trabalham. 

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