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Copom pisa no freio e interrompe ciclo de corte da Taxa Selic; entenda os motivos

Foto: Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária decidiu manter a Selic em 13,75%, contrariando previsões de redução, em resposta a incertezas fiscais e climáticas.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Agência Brasil
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 05/11/2026, às 06h42



O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, interromper a sequência de reduções e manter a Taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A determinação contrariou as estimativas predominantes de parte dos analistas do mercado financeiro, que projetavam uma nova redução residual de 0,25 ponto percentual, consolidando uma postura de freio e vigilância diante do cenário macroeconômico.

Em comunicado divulgado após a deliberação, o colegiado justificou que o avanço de incertezas fiscais, a recente valorização do dólar e os reflexos climáticos associados ao fenômeno El Niño sobre a cadeia produtiva exigem cautela e serenidade técnica na condução da política monetária. Com as projeções de inflação acumulada em doze meses ultrapassando o teto de tolerância da meta contínua, o órgão não forneceu sinalizações sobre a trajetória da taxa básica para os próximos encontros.

Fatores de risco 

A justificativa técnica do Banco Central detalhou os vetores de instabilidade que fundamentaram o encerramento do ciclo de afrouxamento monetário.

  • Pressão cambial: volatilidade recente na cotação do dólar e tensões geopolíticas no exterior ampliaram o custo de insumos importados no mercado doméstico.

  • Impacto climático: início do fenômeno El Niño acendeu o alerta da autoridade monetária para o risco de choques de oferta e elevação no preço dos alimentos.

  • Meta extrapolada: acumulado em doze meses da prévia da inflação oficial (IPCA-15) alcançou 4,62%, posicionando-se acima do limite máximo de 4,5% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional.

Desaceleração econômica

O anúncio reflete um cenário de desaceleração produtiva e desfalque na composição técnica da cúpula do órgão.

  • Projeção de mercado: estimativa de analistas financeiros para a inflação oficial deste ano situou-se em 5,22%, mantendo trajetória distante do centro da meta.

  • Ritmo do PIB: previsão para o crescimento econômico nacional em 2026 recuou para o patamar de 1,8% no mais recente levantamento da instituição.

  • Vacância no colegiado: diretoria participou da votação sem dois titulares em razão do término dos mandatos nas áreas de Organização do Sistema Financeiro e Política Econômica.

A opção por preservar os juros básicos em patamar restritivo mantém o crédito corporativo e pessoal sob custos elevados, arrefecendo a circulação de moeda para impedir que o excesso de demanda pressione as tabelas de preços no varejo. O movimento congela o ciclo de cortes iniciado em abril e transfere a expectativa de alívio nas taxas de empréstimos bancários para os próximos relatórios de inflação.

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