A fragilidade na gestão financeira atinge a maioria dos pequenos negócios no Rio Grande do Norte e acende um alerta para riscos fiscais e dificuldade de acesso ao crédito. Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), revela que 65% dos empreendedores no estado utilizam recursos pessoais para cobrir despesas das empresas.
O índice potiguar supera a média nacional, que é de 61%, e se aproxima do cenário do Nordeste, onde 67% dos empresários adotam a prática. No ranking regional, o estado aparece na quarta colocação, atrás de Bahia, Ceará e Pernambuco.
A pesquisa aponta que a mistura entre contas pessoais e empresariais evidencia falhas na organização financeira, além de provocar distorções contábeis e aumentar o risco de problemas fiscais.
Falta de controle compromete decisões e acesso a crédito
A ausência de separação entre as finanças dificulta a leitura real da saúde econômica dos negócios. Isso impacta diretamente o planejamento, a tomada de decisões e a capacidade de investimento dos empreendedores.
No Brasil, metade dos donos de pequenos negócios mantém um controle considerado precário. Apenas 30% utilizam planilhas digitais para gerenciar as finanças.
Outros 25% ainda recorrem a anotações em cadernos, enquanto 20% utilizam aplicativos ou sistemas digitais. Já 13% contam com apoio de contador e 10% afirmam não realizar qualquer tipo de controle financeiro.
RN segue tendência do Norte e Nordeste
No Rio Grande do Norte, o cenário acompanha o padrão das regiões Norte e Nordeste, com predominância de métodos menos estruturados de gestão.
Cerca de 31% dos empreendedores utilizam cadernos para registrar receitas e despesas, enquanto 29% adotam planilhas. Outros 19% utilizam ferramentas digitais e 14% contam com suporte contábil.
Ainda segundo o Sebrae, 7% dos empresários no estado não realizam qualquer tipo de acompanhamento financeiro.
Regiões
Em contraste, as regiões Sudeste e Sul apresentam maior uso de ferramentas estruturadas. O uso de planilhas chega a 33%, com destaque para São Paulo e Santa Catarina.
O uso de aplicativos digitais também é mais expressivo em Santa Catarina, enquanto a ausência total de controle financeiro é mais frequente em estados como Mato Grosso.
De acordo com o Sebrae, setores como construção civil, comércio e serviços concentram os maiores impactos dessa fragilidade, reforçando a necessidade de ampliar a educação financeira e a digitalização da gestão para aumentar a competitividade dos pequenos negócios.