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Acordo com países europeus pode ampliar exportações e atrair investimentos para o RN

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Acordo entre Mercosul e EFTA abre portas para produtos do Rio Grande do Norte em mercados europeus de alto poder aquisitivo  |   BNews RN - Divulgação Reprodução: Internet
Redação

por Redação

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Publicado em 06/10/2026, às 09h04



O Rio Grande do Norte pode ampliar sua presença no mercado europeu a partir da entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).

O tratado envolve Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça e reduz barreiras para a circulação de produtos entre os dois blocos.

Para o setor produtivo potiguar, a mudança pode favorecer principalmente segmentos que já possuem experiência em exportações, como fruticultura, pescados e mineração. Também surgem oportunidades para alimentos processados, sal, confecções, produtos têxteis, pedras ornamentais e mercadorias associadas à identidade territorial do estado.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) considera que o acordo amplia as possibilidades de diversificação dos destinos das exportações potiguares, especialmente em mercados caracterizados pelo elevado poder de compra.

Segundo a entidade, a fruticultura aparece entre os segmentos com maior potencial de aproveitamento da abertura comercial. A ampliação das vendas externas também pode gerar efeitos indiretos sobre diferentes etapas da cadeia produtiva.

Novos negócios podem gerar efeitos sobre o emprego e a renda na produção, no beneficiamento, no transporte e em outros serviços associados”, afirma a Faern.

Na avaliação do economista Helder Cavalcanti, o novo mercado representa uma oportunidade relevante, mas seus efeitos não devem ser confundidos com uma transformação imediata da economia estadual.

“Estamos falando de um mercado [de] elevado poder de compra. É um mercado relativamente pequeno em população, mas muito qualificado em renda e capacidade de consumo”, afirma.

Para ele, um dos principais ganhos está na possibilidade de reduzir a dependência de poucos destinos e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações do estado.

“A eliminação ou redução de tarifas melhora a competitividade do produto potiguar”, explica.

Empresas terão de atender exigências

Apesar da abertura comercial, o aproveitamento das novas oportunidades dependerá da capacidade das empresas potiguares de cumprir requisitos técnicos e sanitários exigidos pelos países europeus.

Helder Cavalcanti destaca que será necessário preparar as empresas, adequar processos produtivos e estabelecer relações comerciais com os novos mercados.

Entre os segmentos apontados pelo economista com potencial de expansão estão a fruticultura irrigada, pescados, sal, alimentos processados, confecções, produtos têxteis, mineração, pedras ornamentais e artesanato.

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec-RN) também considera o acordo um marco estratégico para reposicionar o estado no comércio internacional.

A pasta avalia que o RN pode avançar de uma posição concentrada no fornecimento de matérias-primas tradicionais para uma atuação mais diversificada, com potencial de se tornar um hub de tecnologia verde e alimentos voltado ao mercado europeu.

Acordo pode impactar emprego e logística

Na avaliação da Sedec-RN, os possíveis efeitos positivos da nova relação comercial podem ser percebidos em três frentes: interiorização do emprego formal, atração de postos de trabalho qualificados ligados à energia e à logística e fortalecimento da atividade pesqueira no litoral.

A secretaria também aponta perspectivas para produtos derivados da cana-de-açúcar e pescados, setores que já possuem produção consolidada no estado.

“O contexto atual torna-se favorável para a consolidação de novas possibilidades de destinação dos produtos locais, sobretudo nos setores de alimentos derivados da cana-de-açúcar e pescados, tradicionalmente produzidos no estado”, afirma a Sedec-RN.

Ouro coloca mineração no centro das oportunidades

Outro setor que pode se beneficiar do novo cenário é a mineração. O ouro ganhou peso significativo na balança comercial potiguar e já estabeleceu relações importantes com mercados europeus.

A Suíça, em especial, aparece como um dos principais destinos do ouro produzido no RN. Em 2026, o país responde por 25% das exportações do produto potiguar, atrás apenas do Canadá.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, o acordo representa uma oportunidade estratégica, mas exige preparação da indústria local.

“O desafio agora é sair da oportunidade no papel e transformar a abertura comercial em produção, investimentos, exportações e desenvolvimento para o RN”, afirma.

Segundo Serquiz, as tarifas de importação do ouro já estavam próximas de zero. O diferencial do novo acordo estaria principalmente no aprofundamento da integração com um importante centro internacional de refino, como a Suíça.

A expectativa é que a nova relação comercial possa consolidar o país como destino e centro de refino do ouro potiguar, além de estimular investimentos e aumentar a valorização de aspectos como origem legal, rastreabilidade e sustentabilidade da produção.

Quando o acordo começa a valer

O Brasil promulgou, no fim de setembro, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA. O tratado prevê a liberalização tarifária de produtos dos setores industrial e agrícola, levando em consideração as características específicas de cada mercado.

O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Já a EFTA é formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

A aplicação do acordo ocorre em etapas. Para Brasil e Islândia, a vigência começou em 1º de outubro. Entre Brasil e Noruega, o início está previsto para 1º de novembro.

Já no comércio com Suíça e Liechtenstein, a aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão dos processos de internalização do acordo nesses países.

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