Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 17/12/2025, às 15h12
De acordo com um relatório elaborado pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), O número de crianças brasileiras que têm acesso à internet nos primeiros anos de vida mais que dobrou em menos de 10 anos, saltando de 11% em 2015 para 23% em 2024. O dado ainda revela que quase metade dos bebês com até 2 anos de idade já tem contato com telas, percentual que chega a 71% entre crianças de 3 a 5 anos.
As informações fazem parte do relatório Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais, divulgado na última terça-feira (16). O documento traz evidências científicas nacionais e internacionais sobre os impactos da exposição precoce às telas no desenvolvimento infantil.
De acordo com o levantamento, o uso de dispositivos digitais acontece em larga escala mesmo diante das recomendações médicas. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a telas e que, entre 2 e 5 anos, o tempo seja limitado a no máximo uma hora por dia.
O documento também destaca que, apesar das orientações, a exposição às telas se tornou parte da rotina das famílias brasileiras. Estudo citado pelo NCPI, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, aponta que 78% das crianças de 0 a 3 anos têm contato diário com telas, ainda que os cuidadores reconheçam a necessidade de impor limites.
A pesquisa ouviu 822 responsáveis por crianças de até 6 anos e revela um descompasso entre o conhecimento sobre os riscos e as práticas adotadas no dia a dia.
Especialistas alertam que essa mudança de hábitos acontece em uma fase decisiva para o desenvolvimento do cérebro, quando estímulos sociais e afetivos desempenham papel central na formação de habilidades cognitivas e emocionais.
O impacto do uso excessivo de telas é ainda mais evidente em contextos de vulnerabilidade social. De acordo com o relatório, 69% das crianças de famílias de baixa renda ficam expostas a telas por períodos considerados excessivos.
À medida que a renda diminui, cresce a probabilidade de que o tempo em frente aos dispositivos substitua interações sociais e o brincar, fundamentais para o desenvolvimento saudável.
O relatório do NCPI associa o uso excessivo de mídias digitais a mudanças na estrutura cerebral, com possíveis impactos no processamento visual, na atenção, no reconhecimento de letras e na cognição social. A qualidade do conteúdo consumido também aparece como fator determinante.
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Há ainda um alerta específico para conteúdos violentos. Segundo as pesquisadoras, videogames e vídeos com violência estão relacionados ao aumento de comportamentos hostis, dessensibilização, ansiedade, depressão, pesadelos e maior aceitação da violência como forma de resolver conflitos.
Diante do cenário, o NCPI defende a urgência de políticas públicas integradas envolvendo saúde, educação, assistência social e garantia de direitos.
Entre as propostas estão campanhas de conscientização, capacitação de profissionais, monitoramento da classificação indicativa e proteção contra publicidade enganosa e conteúdos impróprios.
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