Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 29/12/2025, às 16h20
Pesquisas científicas têm demonstrado uma relação direta entre o consumo de maconha e o aumento de problemas na saúde bucal, incluindo maior incidência de cáries, perda de dentes e, em situações mais graves, câncer na cavidade oral.
Estudos recentes mostram que usuários frequentes da substância apresentam até 55% mais chances de desenvolver cáries, 41% mais risco de perda dentária e uma probabilidade até três vezes maior de câncer bucal, um efeito ainda pouco discutido fora do meio científico.
A preocupação em relação ao tema tem ganhado espaço entre profissionais da odontologia, que relatam identificar sinais claros do uso da droga durante atendimentos de rotina, como olhos avermelhados, odor característico e ressecamento da boca.
A dentista Ellyce Clonan, professora assistente clínica da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, afirma que consegue reconhecer quando um paciente está sob efeito de substâncias psicoativas logo no primeiro contato.
De acordo com ela, alguns chegam a admitir o uso por medo ou ansiedade em relação ao atendimento odontológico, sem perceber os riscos envolvidos. A especialista alerta que o consumo frequente de maconha pode comprometer seriamente a saúde da boca, especialmente quando associado à falta de cuidados preventivos.
Além das alterações visíveis, o uso da droga reduz a produção de saliva, condição conhecida como boca seca, que favorece o surgimento de cáries, infecções e lesões nos dentes e gengivas.
Embora o tabaco seja tradicionalmente associado ao câncer de boca e pulmão, novas pesquisas têm ampliado o foco para a cannabis. Um estudo realizado na Califórnia analisou dados de internações hospitalares e identificou que pessoas com transtorno relacionado ao uso de maconha têm mais de três vezes mais chances de desenvolver câncer nos lábios e na língua em um período de cinco anos.
Pesquisadores explicam que o tetrahidrocanabinol, o THC, pode interferir na resposta imunológica dos tecidos da boca e do trato respiratório, tornando essas regiões mais vulneráveis a danos e inflamações.
O consumo da substância antes de procedimentos odontológicos também levanta outro alerta importante. Estudos mostram que usuários frequentes podem necessitar de doses maiores de anestesia, sentir mais dor durante o tratamento e apresentar maior risco de complicações no pós-operatório.
Especialistas destacam que a maconha pode interferir na ação de anestésicos comuns, especialmente aqueles que contêm adrenalina, utilizada para prolongar o efeito e reduzir sangramentos.
Por isso, dentistas defendem que o uso de maconha seja informado previamente, assim como ocorre com outros medicamentos ou substâncias que possam afetar o tratamento.
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