Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 20/10/2025, às 13h05
Nesta segunda-feira (20), os funcionários administrativos ligados à rede estadual de saúde do Rio Grande do Norte decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada de maneira unânime durante uma assembleia que foi realizada na última semana, de acordo com o informado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do RN (Sindsaúde/RN).
A paralisação irá afetar os setores administrativos de unidades de saúde em todo o estado. Ainda segundo o sindicato, a ação tem como objetivo pressionar o Governo do Estado a abrir diálogo sobre pautas específicas da categoria.
Entre as principais reivindicações, os servidores estão pedindo que a carga horária seja revisada, o pagamento de horas extras, a criação de vale-alimentação e a atualização das gratificações, que, de acordo com o Sindsaúde, estão defasadas há mais de 20 anos.
O sindicato pede que a carga horária seja ajustada para 108 horas mensais nas funções de 30 horas semanais e 144 horas mensais nas de 40 horas. Também cobram o pagamento das horas extras conforme prevê o artigo 30 da Lei nº 694/2022, que institui o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da saúde estadual.
O Sindsaúde/RN afirma que a decisão de paralisar as atividades é uma resposta à falta de avanços nas negociações e à “inércia do Governo do Estado em discutir as demandas específicas dos trabalhadores administrativos da saúde”.
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Durante a greve, os serviços essenciais continuarão em funcionamento, mas com redução no número de servidores, conforme previsto pela Lei nº 7.783/98, que regula o direito de greve no serviço público.
No perfil oficial no Instagram, o Sindsaúde publicou uma nota em resposta ao posicionamento do Governo do RN em relação à greve.
Confira a nota:
O Sindsaúde/RN recebe com indignação a nota divulgada pelo Governo do Estado, assinada pela secretária adjunta Leidiane Fernandes e pelo coordenador da CGETS, Marcelo Mafort, a respeito da greve dos servidores administrativos da saúde, que tem início nesta segunda-feira (20). Trata-se de uma greve legítima, deflagrada após diversas tentativas frustradas de diálogo e diante da recusa do governo em atender a pauta de reivindicações da categoria.
Para o Sindsaúde/RN, o documento publicado pelo Governo tem caráter intimidatório e busca desestimular a adesão dos servidores ao movimento paredista. A nota chega a mencionar a possibilidade de descontos salariais, numa clara tentativa de enfraquecer a mobilização coletiva. É lamentável que, diante da primeira greve realizada por essa categoria, o Governo adote uma postura de coerção em vez de diálogo e respeito.
Reafirmamos que a greve é um direito constitucional e uma ferramenta legítima de luta da classe trabalhadora. Os servidores administrativos da saúde recorreram a esse instrumento como último recurso, após a negativa do Governo em atender reivindicações justas, como melhores condições de trabalho e salários dignos.
O Sindsaúde/RN informa ainda que já entrou em contato com a coordenação da CGETS e que a orientação é não emitir declarações individuais de greve.
Se há um ponto em que concordamos com o Governo, é este: somos uma categoria essencial à saúde pública do Rio Grande do Norte. Sem os servidores administrativos, não existe SUS!
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