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A disputa entre Estados Unidos e China pelo controle tecnológico e estratégico do espaço ganhou novos capítulos na América do Sul. Um radiotelescópio chinês instalado na província de San Juan, na Argentina, teve as operações interrompidas após pressão diplomática americana sobre autoridades argentinas, em meio a suspeitas de possível uso militar e de inteligência do equipamento.
O projeto foi desenvolvido em parceria entre a Universidade Nacional de San Juan e o Observatório Astronômico Nacional da China. O radiotelescópio seria o maior da América do Sul e foi instalado em uma região considerada estratégica para observações astronômicas por conta das condições climáticas e geográficas favoráveis.
Apesar do avanço das obras, peças fundamentais para a conclusão do equipamento permanecem retidas na alfândega argentina há cerca de nove meses. Oficialmente, o governo argentino aponta questões burocráticas e problemas na renovação do acordo com os chineses como justificativa para a paralisação.
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Segundo autoridades americanas ouvidas pela imprensa internacional, Washington demonstrou preocupação recorrente com o potencial uso do radiotelescópio para monitoramento de satélites, comunicação espacial e coleta de informações estratégicas.
A pressão diplomática teria começado ainda durante o governo Joe Biden e continuado na atual gestão de Donald Trump.
A movimentação faz parte do endurecimento da política externa dos Estados Unidos na América Latina diante da expansão chinesa em áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura, tecnologia, segurança e exploração espacial.
No ano passado, um projeto semelhante da China no deserto do Atacama, no Chile, também foi interrompido após questionamentos do governo americano. O episódio aumentou a preocupação de pesquisadores da região sobre os impactos da rivalidade geopolítica entre as duas maiores potências do mundo em projetos científicos internacionais.
A astrônoma Ana Maria Pacheco afirmou que os pesquisadores vivem um “buraco negro político” diante da paralisação das atividades no observatório argentino.
A tensão entre Washington e Pequim também envolve a base espacial chinesa instalada desde 2015 na província argentina de Neuquén, na Patagônia. Operada por militares chineses, a estrutura é utilizada para controle de satélites e missões espaciais e frequentemente gera críticas por parte do governo americano.
Em resposta às acusações, a Embaixada da China em Buenos Aires afirmou que o projeto possui finalidade exclusivamente científica e acusou os Estados Unidos de tentar conter a expansão chinesa na região por motivos políticos.
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