Geral

Médicos do RN alertam para o consumo excessivo de churrasco, camarão, amendoim, pizza e chocolate

Imagem Médicos do RN alertam para o consumo excessivo de churrasco, camarão, amendoim, pizza e chocolate
Urologistas estão fazendo um alerta sobre o consumo exagerado de itens comuns na rotina alimentar, e que podem causar problemas graves  |   BNews RN - Divulgação
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

[email protected]

Publicado em 28/02/2026, às 06h00



A formação de pedras nos rins — também chamadas de cálculos renais — está cada vez mais associada a hábitos alimentares inadequados e à baixa ingestão de líquidos. Ouvidos pelo BNews Natal, médicos urologistas do Rio Grande do Norte estão fazendo um alerta sobre o consumo exagerado de carne vermelha, camarão, amendoim, pizza e chocolate, por exemplo. Comuns na rotina alimentar, quando ingeridos em excesso, esses itens podem aumentar o risco de formação de pedras nos rins.

No estado, segundo a Secretaria de Saúde (SESAP), somente nos últimos dois anos foram realizados aproximadamente 220 procedimentos eletivos para a retirada de pedras dos rins. Com casos de urgência, foram outros 850 procedimentos.

Por que esses alimentos preocupam?

De acordo com os especialistas, o problema não está no consumo ocasional, mas na frequência elevada e nas grandes quantidades. 

Fatores alimentares e cálculos renais
Fatores alimentares e cálculos renais

A carne vermelha e frutos do mar, como o camarão, são ricos em proteína animal. Dietas com alta ingestão desse tipo de proteína podem elevar os níveis de ácido úrico e aumentar a eliminação de cálcio na urina, favorecendo a formação de cálculos renais.

O amendoim e o chocolate são ricos em oxalato, substância que pode se ligar ao cálcio na urina e formar cristais — mecanismo comum nas chamadas pedras de oxalato de cálcio, que são as mais comuns.

No caso da pizza, o alerta envolve principalmente o excesso de sódio, presente tanto na massa quanto nos queijos e embutidos utilizados como cobertura. O sal em excesso aumenta a eliminação de cálcio pela urina, sobrecarregando os rins.

Ângelo Campos, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), destaca:

"O mais importante é a alimentação variada, sem excessos de alimentos ou bebidas específicos, evitando o consumo de industrializados, enlatados e/ou embutidos, refrigerantes, sódio (sal). E não se esquecer, claro, da boa ingestão de água diariamente".
Dr. Ângelo Campo, da Sociedade de Urologia
Dr. Ângelo Campo, da Sociedade Brasileira de Urologia

"Se a pessoa tiver uma dieta equilibrada e variada, rica em frutas, verduras e legumes, já ajuda bastante. O consumo proteico deve ser o adequado às necessidades diárias, mas lembrando que a carne vermelha não deve ser a principal fonte de proteínas. Em substituição à carne vermelha, consumir carne de aves e peixes, evitando não cumprir a meta diária de ingestão de proteína de origem animal. As proteínas de origem vegetal também podem ser consumidas, mas não substituem por completo as proteínas de origem animal. Ou seja, não precisa ser radical em nada, mas manter uma dieta diversificada“, acrescentou o médico.

Cálculo renal tem forte influência genética

O cálculo renal, popularmente conhecido como “pedra nos rins”, é uma doença frequente que atinge entre 10% e 15% da população e tem apresentado aumento nos últimos anos. O alerta é do médico urologista Maryo Kempes, que também atua no Rio Grande do Norte.

Segundo o especialista, o cálculo renal se caracteriza pela formação de estruturas sólidas dentro das vias urinárias e é mais comum em homens do que em mulheres. "Um dos principais fatores associados à doença é a predisposição genética", destaca.

Kempes complementa:

Pacientes que têm histórico familiar de cálculo renal precisam redobrar os cuidados e fazer acompanhamento regular”.

Genética é fator determinante

Ainda de acordo com o urologista, embora hábitos de vida influenciem na incidência da doença, o fator genético é determinante na maioria dos casos.

“Se você já teve cálculo renal ou tem alguém na família com histórico da doença, a chance de desenvolver novos cálculos é grande. As medidas comportamentais não determinam se a pessoa terá cálculo, mas influenciam na quantidade e na frequência”, explica Kempes.

Isso significa que manter hábitos saudáveis pode reduzir a incidência, mas não impedir totalmente o surgimento das pedras.

Médico Urologista Maryo Kempes
Médico Urologista Maryo Kempes

Acompanhamento é fundamental

O médico recomenda acompanhamento periódico, principalmente para quem já teve episódios anteriores. Exames de imagem simples, como a ultrassonografia das vias urinárias, ajudam no diagnóstico precoce e no tratamento antes que o problema se agrave.

Quando o cálculo já está instalado, pode ser necessário procedimento médico para removê-lo ou fragmentá-lo.

Em casos de cálculos menores que 7 milímetros, há cerca de 92% de chance de eliminação espontânea. No entanto, esse processo costuma ser acompanhado de dor intensa e sofrimento. Já cálculos maiores têm menor probabilidade de sair naturalmente.

Hábitos saudáveis ajudam na prevenção

Apesar do peso da genética, o especialista reforça que manter uma rotina saudável é essencial para reduzir os riscos:

  • Ingestão adequada de líquidos
  • Alimentação equilibrada
  • Prática regular de atividade física
  • Acompanhamento médico periódico

“Prevenir é sempre o melhor caminho. Mesmo com predisposição genética, é possível diminuir a frequência dos episódios com cuidados adequados e acompanhamento regular”, finaliza Maryo Kempes.

Cálculos renais aumentam até 30% durante o verão

Dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), alinhados com estudos epidemiológicos, indicam um cenário de alta incidência de pedras nos rins no Brasil, impulsionado por fatores comportamentais e climáticos.

Atualmente, cerca de 8% a 10% da população brasileira pode sofrer com cálculo renal em algum momento da vida.

Embora possa afetar qualquer idade, a condição tem alta incidência em adultos jovens, com faixa etária frequente entre 20 e 35 anos, muitas vezes relacionada a hábitos de vida e dieta.

Os casos de cálculos renais aumentam até 30% durante o verão. Isso ocorre devido ao aumento da temperatura, que leva à maior perda de líquidos pela transpiração. A desidratação resultante faz com que os rins concentrem mais substâncias químicas (como oxalato e cálcio), facilitando a cristalização e formação de pedras.

Leia também

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating