Geral
A entrega das primeiras declarações do Imposto de Renda 2026 acendeu um alerta na Receita Federal. Dados do órgão mostram que 19,3% dos contribuintes caíram na malha fina logo no início do prazo, puxados por inconsistências na declaração pré-preenchida, o equivalente a quase dois em cada dez envios.
Com a identificação das principais falhas, o índice recuou para 10,6% nos últimos dias. Ainda assim, o volume elevado mantém a preocupação, especialmente diante do prazo final de entrega, marcado para 29 de maio.
As divergências estão, em grande parte, relacionadas a informações importadas automaticamente com erros, o que tem exigido atenção redobrada dos contribuintes na conferência dos dados.
Entre os problemas mais comuns estão classificações incorretas de rendimentos, como salários, 13º e férias, além de uso inadequado de códigos e registros duplicados. Também foram identificados casos de rendimentos isentos tratados como tributáveis e despesas médicas informadas em duplicidade, sobretudo em planos de saúde.
A principal mudança neste ciclo foi o fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, com a migração das informações para sistemas como o eSocial e a EFD-Reinf, alimentados diretamente por empresas.
Segundo José Carlos Fonseca, superintendente nacional do Imposto de Renda, parte relevante das inconsistências decorre de erros no envio de dados por empregadores, principalmente de pequeno e médio porte.
De acordo com a Receita, grandes empresas, como bancos e órgãos públicos, apresentam menos falhas. Já companhias menores têm enfrentado mais dificuldades na adaptação aos novos sistemas digitais, o que impacta diretamente as declarações dos contribuintes.
O órgão reforça que não cria informações na declaração pré-preenchida, apenas replica os dados recebidos de terceiros. Por isso, qualquer erro na origem pode se refletir automaticamente no documento do contribuinte.
A transição para o uso integral do eSocial também revelou problemas técnicos, como falhas na parametrização de rubricas, códigos usados para classificar pagamentos, o que pode distorcer valores de imposto retido e contribuições previdenciárias.
A orientação é que o contribuinte utilize como base os informes de rendimentos fornecidos por empresas, bancos e operadoras de saúde, mesmo que haja divergência com a pré-preenchida.
Caso identifique erro, o ideal é solicitar correção à fonte pagadora e, se necessário, retificar a declaração. A Receita destaca que cair na malha fina não implica automaticamente penalidade, desde que os dados possam ser comprovados.
Entre os erros mais frequentes estão classificação incorreta de salários, férias e 13º, divergência entre rendimentos tributáveis e isentos, uso inadequado de códigos, duplicidade de informações entre sistemas e despesas médicas repetidas.
Mesmo após correções feitas pelas empresas, é necessário que os dados sejam reenviados aos sistemas da Receita para atualização. Caso contrário, a inconsistência pode permanecer e continuar afetando a declaração.
A Receita também realiza cruzamentos automáticos e reprocessa informações conforme novos dados são recebidos, o que pode liberar o contribuinte da malha fina sem necessidade de ação adicional.
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