O furacão Melissa, que atingiu a Jamaica nesta terça-feira (28) com ventos de quase 300 km/h, deixou um alerta urgente para toda a América Latina: a falta de sistemas móveis eficientes de comunicação de emergência.
O episódio obrigou o governo jamaicano a emitir avisos em parceria com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), evidenciando a dependência de canais tradicionais como rádio e TV em situações que exigem resposta imediata.
Segundo Caio Borges, diretor da Infobip, empresa global de comunicações em nuvem com atuação em projetos de segurança pública, os alertas móveis têm papel essencial na proteção da população.
“Em desastres naturais, segundos fazem diferença. A comunicação direta com as pessoas é o primeiro passo para salvar vidas, e o uso de sistemas móveis de alerta é o meio mais eficaz de garantir isso”, afirma.
Entre as tecnologias mais eficazes está o Cell Broadcast, usado em países como Japão, Chile e Estados Unidos. O sistema permite o envio simultâneo de mensagens para todos os celulares em uma área afetada, orientando evacuações e ações de emergência de forma rápida e precisa.
América Latina tem potencial, mas carece de integração
Com mais de 400 milhões de usuários de internet móvel, a América Latina tem condições de adotar sistemas de alerta em larga escala.
De acordo com o relatório The Mobile Economy Latin America 2024, da GSMA Intelligence, a região possui taxa de penetração superior a 60%, e em países como Brasil, Chile e Argentina, há mais linhas móveis do que habitantes.
Mesmo com esse cenário favorável, ainda faltam políticas públicas integradas e investimentos para transformar a tecnologia em ferramenta de segurança.
“O aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos torna urgente o investimento em comunicação preventiva”, destaca Borges.
O Brasil, por exemplo, já testou o Cell Broadcast em parceria com a Defesa Civil Nacional e operadoras de telecomunicações, obtendo resultados promissores.
Esses testes apontam para um futuro em que a mensagem de emergência chegue instantaneamente a milhões de pessoas, reduzindo riscos e salvando vidas.
Prevenção é a palavra-chave
Para a Infobip, que atua em sistemas de notificação em massa e comunicação geolocalizada, o desafio vai além da previsão de desastres: é garantir que a informação chegue a tempo.
A empresa colabora com governos e equipes de emergência no desenvolvimento de estratégias que aumentam a resiliência urbana e a capacidade de resposta a eventos extremos.
“O desafio nestes casos não é apenas prever desastres, mas garantir que a informação chegue a todos a tempo de agir”, conclui o executivo.
Com o impacto crescente das mudanças climáticas e a vulnerabilidade das regiões tropicais, o caso da Jamaica reforça uma lição vital: a tecnologia é hoje uma das fronteiras mais decisivas na luta pela sobrevivência diante dos desastres naturais.