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Fred Queiroz relembra parceria com Netinho e destaca papel do cantor na história do Carnatal

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Para Fred, um dos diretores da festa potiguar, Netinho foi muito mais do que uma atração musical, ele ajudou a construir a identidade do Carnatal  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Internet
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 13/10/2026, às 16h26



A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13), em Salvador (BA), encerra uma trajetória que também se confunde com a história do Carnatal e das grandes micaretas do país. Para Fred Queiroz, um dos diretores da festa potiguar, o artista baiano foi muito mais do que uma atração musical, ele ajudou a construir a identidade do evento e a fortalecer o mercado de entretenimento em Natal.

Fred conheceu Netinho em 1990, durante o Carnaval de Salvador, por meio de amigos em comum. A relação entre os dois, no entanto, já tinha uma ligação anterior com o Rio Grande do Norte. Antes de alcançar projeção nacional, o cantor havia passado três meses em Natal, em 1986, quando foi contratado para integrar uma banda que animou a campanha eleitoral do então candidato Flávio Rocha.

Fred Queiroz. Foto: Reprodução/Instagram
Fred Queiroz. Foto: Reprodução/Instagram

O grupo, formado às pressas para a ocasião, retornou à Bahia após a eleição e se transformou na Banda Beijo, que marcaria o início da trajetória de Netinho no axé music. A parceria ganhou força no Carnatal a partir de 1991, quando a Banda Beijo puxou o bloco Jerimum.

No ano seguinte, Fred e outros parceiros fundaram o Bikoka, que passou a ter a banda como atração principal. Em 1993, com o início da carreira solo do cantor, a relação profissional se ampliou, incluindo novos projetos e ações que ajudaram a consolidar o nome de Netinho entre os grandes puxadores de trio elétrico do Brasil.

Bikoka marcou uma geração de foliões

Ao recordar os momentos mais marcantes da trajetória ao lado do cantor, Fred destaca a força que o Bikoka alcançou no cenário das micaretas, em uma época em que esse formato de Carnaval se espalhava por diversas cidades brasileiras. A parceria também resultou na criação de outros projetos ligados ao Carnatal, como o bloco infantil Babykoka e o bloco alternativo Jeremias.

Para Fred, a criação do Babykoka teve um significado especial para a longevidade da festa, ao ampliar o público e fortalecer a presença das famílias no evento. A iniciativa ajudou a construir novas possibilidades de participação no Carnatal, que passou a reunir diferentes gerações de foliões.

Um dos episódios que ficaram na memória do diretor foi uma temporada de verão no Circo da Folia, em Pirangi. Na ocasião, Netinho fez dois shows, na sexta-feira e no sábado, ambos com ingressos esgotados. Segundo Fred, o feito foi inédito naquele período e demonstrou a força do cantor junto ao público potiguar.

Cantor ajudou a transformar o Carnatal em referência nacional

Na avaliação de Fred Queiroz, Netinho teve papel decisivo na consolidação do Carnatal como uma das principais micaretas do Brasil, ao lado de artistas como Asa de Águia e Banda Cheiro de Amor. O diretor também recorda o orgulho que o cantor sentia do Bikoka e a importância dos projetos desenvolvidos em conjunto para o crescimento do evento.

A relação profissional entre os dois não terminou com a última saída do Bikoka, em 1997. Eles continuaram trabalhando em shows e outros projetos, além de manter contato ao longo dos anos, inclusive depois que o artista começou a enfrentar problemas de saúde.

Fred conta que, quando Netinho decidiu seguir carreira solo, o cantor o convidou para trabalhar na organização e na prospecção de seus blocos. O artista chegou a insistir para que ele assumisse a função de produtor, mas o convite foi recusado porque exigiria uma mudança de Natal.

Sobre a personalidade do baiano, o diretor destaca duas características que, segundo ele, marcaram a convivência: o profissionalismo e o temperamento forte. Mais do que os bastidores, porém, Fred guarda a lembrança de um artista que ajudou a transformar o Carnaval fora de época em um fenômeno de público e negócios.

Última apresentação em Natal aconteceu em janeiro

A ligação de Netinho com a capital potiguar continuou até os últimos anos de sua carreira. O cantor participou das duas edições do Axé Natal, realizadas em 2025 e em 31 de janeiro de 2026, data de sua última apresentação em Natal.

Após a morte do artista, a diretoria do Axé Natal publicou uma homenagem destacando a relação construída com o público potiguar desde a primeira edição do evento.

"Netinho fez parte da história do Axé Natal desde a primeira edição do evento, marcando gerações com seus grandes sucessos, sua energia contagiante e seu talento inconfundível", escreveu Alexandre Tawfic, representante da diretoria.

"Ele era único", resume Fred Queiroz

Intérprete de sucessos como Milla e Beijo na Boca, Netinho conquistou projeção nacional e se tornou um dos nomes marcantes do axé music. Ao longo de quase quatro décadas de carreira, enfrentou graves problemas de saúde e permaneceu ligado à música e aos eventos que ajudou a popularizar.

Para Fred Queiroz, a importância do cantor para o Carnatal vai além dos shows e dos blocos que comandou. Sua participação ajudou a consolidar o formato da micareta, ampliar o alcance da festa e criar iniciativas que contribuíram para sua continuidade ao longo das décadas.

Ao falar sobre como o artista deve ser lembrado na história do evento, o diretor resume a dimensão dessa contribuição em poucas palavras: "Como precursor do evento e como um dos maiores puxadores de trio do Brasil. Ele era único."

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