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A distância entre mãe e filho durante períodos de cuidados por terceiros não precisa significar ausência de proteção. Para a especialista em proteção infantil Kennya Gralha, parte desse cuidado pode ser construída antes mesmo de a criança sair de casa, por meio de conversas, vínculos de confiança e orientações adequadas à idade.
A abordagem foi apresentada durante uma palestra no Mãe Solo Summit, realizado em São Paulo no dia 19 de setembro. O encontro discutiu os desafios enfrentados por mulheres que assumem sozinhas a rotina de cuidados e como preparar os filhos para momentos em que eles estarão sob a responsabilidade de outras pessoas.
Na avaliação de Kennya, ensinar a criança a reconhecer situações inadequadas e identificar pessoas a quem possa recorrer é uma forma de ampliar a rede de proteção. A especialista também destaca que esse processo não deve ser confundido com uma transferência de responsabilidade: cabe aos adultos garantir um ambiente seguro e agir diante de situações de violência.
Entre os pontos abordados está a importância de conversar com a criança sobre o próprio corpo desde os primeiros anos, respeitando sua faixa etária e capacidade de compreensão. O aprendizado inclui reconhecer as partes do corpo pelos nomes corretos, compreender que existem limites individuais e entender que determinadas situações pertencem ao campo da privacidade.
Outro aspecto destacado é a criação de uma rede de adultos de confiança. A criança deve saber quem pode procurar caso se sinta desconfortável ou perceba que algum limite foi ultrapassado. A orientação é que ela não desista de pedir ajuda caso a primeira pessoa procurada não consiga acolhê-la.
A comunicação também ocupa papel central nesse processo. Segundo a especialista, manter um ambiente em que a criança possa falar sobre o que aconteceu sem medo de ser responsabilizada favorece a identificação de situações que exigem intervenção dos adultos.
Kennya ressalta, no entanto, que nenhuma estratégia de prevenção pode garantir que uma criança saiba reagir diante de uma situação de violência. Por isso, a responsabilidade pela proteção permanece com os adultos responsáveis por ela.
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Durante a apresentação, a especialista também detalhou o Protocolo PREVENIR, estrutura criada para organizar diferentes práticas de proteção infantil. A proposta reúne oito frentes: proteger, reconhecer, educar, exercer a vigilância afetiva, praticar a escuta ativa, nomear e agir, instrumentalizar e reforçar.
A ideia é transformar a prevenção em uma prática cotidiana, em vez de restringi-la aos momentos em que existe uma suspeita ou situação de risco. Nesse processo, a orientação às famílias envolve tanto o acompanhamento dos ambientes frequentados pela criança quanto a preparação para que ela saiba recorrer aos adultos responsáveis.
Para Kennya, esse cuidado não deve levar as mães a tentar controlar permanentemente os espaços frequentados pelos filhos. A proposta é combinar informação, vínculo e uma rede preparada para agir.
“Quero que cada mãe compreenda que proteger não significa vigiar o tempo inteiro, mas construir vínculos, ensinar habilidades e estabelecer uma rede de adultos comprometidos com a segurança da criança”, afirma.
Kennya Gralha é educadora parental, especialista em Inteligência Sexual Infantil e possui pós-graduação em Educação Parental e Inteligência Emocional e em Educação Sexual, Emocional e Prevenção ao Abuso. Ela também é acadêmica de Psicologia, palestrante e presidente do Instituto HEPIM.
A especialista é autora do livro infantil Meu Corpo Ninguém Toca. Eu grito! Eu corro! Eu conto! e criadora do Método Kacto Protetor, voltado à orientação de famílias sobre prevenção ao abuso sexual infantil.
De acordo com informações da assessoria de comunicação, Kennya já realizou mais de 100 palestras e alcançou mais de 80 mil pessoas presencialmente em mais de 10 estados brasileiros.
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