Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 24/12/2025, às 13h07
A ex-coordenadora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas (Sindnapi), Tonia Galleti, recebeu pelo menos R$ 11,6 milhões em contas bancárias ao longo de 2024, de acordo com dados encaminhados pela Receita Federal à CPMI do INSS no Congresso Nacional. Somente em uma conta conjunta mantida no banco Itaú, foram registrados R$ 6,9 milhões em movimentações financeiras no período.
Os valores em questão chamaram a atenção dos parlamentares por não serem compatíveis com as informações declaradas por Tonia ao Fisco. No Imposto de Renda referente ao ano de 2022, ela informou rendimentos de R$ 487,8 mil, sendo pouco menos de R$ 70 mil provenientes de pessoas jurídicas e o restante oriundo de aluguéis, investimentos e honorários profissionais.
As informações constam em relatórios fiscais acessados pela coluna e fazem parte do conjunto de documentos que subsidiam as investigações sobre supostas irregularidades envolvendo entidades que atuam junto ao INSS.
O Sindnapi, entidade ligada à central Força Sindical, está no centro das apurações por descontos considerados indevidos em benefícios previdenciários. A direção do sindicato conta com José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula (PT), que ocupa o cargo de vice-presidente.
Documentos analisados pela CPMI indicam que, além das movimentações pessoais, o sindicato realizou pagamentos milionários a empresas ligadas a familiares de dirigentes, o que ampliou o alcance das investigações.
Segundo um Relatório de Inteligência Financeira, o Sindnapi repassou ao menos R$ 8,2 milhões a empresas associadas a parentes de membros da cúpula da entidade. Entre elas está a Gestora Eficiente, atualmente inativa, pertencente à esposa do presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza, e ao marido de Tonia Galleti.
A empresa era responsável por processar cadastros de aposentados e encaminhar dados ao INSS para viabilizar descontos nos benefícios. Apenas em comissões, a Gestora Eficiente teria recebido cerca de R$ 4,1 milhões, valores calculados a partir dos descontos realizados mensalmente.
O crescimento dessas operações coincidiu com a ampliação expressiva dos descontos promovidos pelo sindicato, que saltaram de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024, após contrato firmado com o banco BMG.
Em outubro deste ano, Tonia Galleti prestou depoimento à CPMI do INSS e defendeu a legalidade dos valores recebidos. Ela afirmou que os pagamentos decorreram de trabalho efetivamente prestado por sua família, com contratos formais, notas fiscais e recolhimento de impostos.
Apesar das explicações, desde o início da Operação Sem Desconto, em abril deste ano, o Sindnapi perdeu cerca de 98% de seus associados, passando de mais de 317 mil contribuintes para aproximadamente 5 mil.
A debandada aconteceu após o INSS facilitar o cancelamento de descontos, que desde maio podem ser interrompidos pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. Reclamações sobre práticas abusivas e venda casada também se multiplicaram em plataformas de defesa do consumidor.
De acordo com Tonia, os valores movimentados foram inferiores aos apontados nos relatórios e todos os recursos têm origem lícita, ligados à advocacia e à docência, com tributação regular. Tonia afirmou ainda que suas contas podem ser auditadas a qualquer momento.
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