O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou investigação administrativa para apurar denúncias de abuso sexual atribuídas ao desembargador Magid Naeuf Láuar, integrante do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). A confirmação foi feita pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
O procedimento tem como foco a análise da conduta ética e moral do magistrado. Pelo menos duas pessoas que se apresentam como vítimas devem ser ouvidas no curso da apuração.
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) informou que também acompanhará o caso e poderá adotar providências no âmbito do Legislativo estadual.
Denúncias surgem após decisão polêmica
As acusações ganharam repercussão pública depois de uma decisão da 9ª Câmara Criminal Especializada do TJ-MG, que absolveu um homem de 35 anos acusado de manter relação com uma criança de 12 anos. O julgamento provocou reação nas redes sociais e questionamentos sobre a atuação do desembargador.
As denúncias vieram à tona após publicações feitas por Saulo Láuar, que se identifica como sobrinho do magistrado. Ele relatou que, aos 14 anos, teria sido alvo de tentativa de abuso quando trabalhava para o desembargador.
Em relato divulgado nas redes, Saulo afirmou que conseguiu evitar a consumação do ato ao fugir da situação. Segundo ele, a decisão judicial recente reacendeu memórias que, até então, estavam guardadas em silêncio.
Relatos semelhantes ampliam pressão
Outras pessoas também se manifestaram publicamente. Uma mulher declarou que ela e a irmã teriam sofrido abusos quando trabalhavam para a família do magistrado. De acordo com o relato, ambas eram jovens à época dos fatos e permaneceram caladas por anos.
Com a repercussão, o Conselho Nacional de Justiça abriu a investigação para verificar a veracidade das acusações e avaliar eventual violação de deveres funcionais.
Até o momento, o desembargador Magid Naeuf Láuar não apresentou manifestação oficial sobre as denúncias.