Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 09/12/2025, às 14h09
Uma situação de extrema gravidade atingiu a rede estadual de saúde após a transferência urgente de pacientes da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) para o Hospital Santa Catarina. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde/RN), a medida foi necessária depois da identificação de sérios problemas elétricos na unidade, com relatos de choques no piso e danos a equipamentos.
Essa medida acabou obrigando a desocupação de parte do prédio e desencadeou uma reação em cadeia em maternidades já sobrecarregadas. Com a redução do atendimento na MEJC, a pressão sobre outras unidades ficou mais intensa.
Um dos principais reflexos dessas transferências foi o aumento expressivo da procura por gestantes de baixo risco no Hospital Regional de São José de Mipibu, na Região Metropolitana de Natal, que já operava no limite antes mesmo da redistribuição dos pacientes.
O deslocamento emergencial, embora seja considerado necessário por questões de segurança, acabou evidenciando fragilidades antigas da rede pública de saúde, principalmente a falta de profissionais e de estrutura para absorver uma demanda repentina e elevada.
Segundo o Sindsaúde, no último final de semana, a situação em São José de Mipibu chegou ao ponto de colapso. Os alojamentos I e II e as salas de pré-parto e de urgência ficaram superlotadas, com puérperas ocupando inclusive áreas de circulação e a entrada do setor de emergência.
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Mesmo com a recente contratação de 27 novos técnicos de enfermagem, o reforço se mostrou insuficiente. Além disso, outros 18 leitos seguem fechados por falta de profissionais, o que acaba agravando ainda mais o cenário em um momento crítico para a assistência materno-infantil.
Dados apontados pelo Conselho Regional de Enfermagem do RN (Coren/RN) indicam que, antes mesmo da crise atual relatada pelo Sindsaúde, já havia um déficit de 92 técnicos de enfermagem, além de carências significativas em setores essenciais como farmácia, laboratório e serviços de apoio.
Referência no atendimento a gestantes de alto risco, o Hospital Santa Catarina, na zona Norte de Natal, também passou a sentir os efeitos da redistribuição dos pacientes. O aumento do fluxo, especialmente durante a madrugada, elevou a carga de trabalho das equipes e intensificou os riscos assistenciais.
Segundo relatos, há pelo menos dois meses o hospital já operava com equipes reduzidas, comprometendo a segurança do atendimento. Com a nova demanda, o cenário se tornou ainda mais delicado tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde.
O Sindsaúde por sua vez publicou uma nota cobrando um posicionamento sobre a situação. Confira:
"O Sindsaúde/RN cobra resposta imediata da Sesap: convocação emergencial de profissionais, abertura dos leitos fechados, reforço estrutural e transparência sobre as medidas adotadas. Gestantes e puérperas não podem ser expostas a condições indignas, e os trabalhadores não podem continuar sustentando um sistema que opera no improviso e à custa do próprio adoecimento".
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