A rede hospitalar do Rio Grande do Norte pode enfrentar uma interrupção significativa nos atendimentos já a partir da próxima segunda-feira (27). Médicos que atuam em serviços de média e alta complexidade anunciaram a suspensão das atividades no interior do estado, alegando atrasos salariais acumulados desde setembro de 2025.
A paralisação envolve cerca de 120 profissionais e deve impactar diretamente hospitais considerados referência no estado. Entre as unidades afetadas estão o Hospital do Coração; a Liga Contra o Câncer; o Instituto do Coração do Rio Grande do Norte (Incor); e o Hospital Infantil Varela Santiago.
De acordo com os médicos, a decisão foi motivada pela falta de regularidade nos repasses financeiros de responsabilidade do Governo do Estado. O cenário, segundo a categoria, tornou insustentável a continuidade dos atendimentos sem a devida remuneração.
Notificação oficial
A comunicação formal sobre a paralisação foi enviada nesta quarta-feira (22) a diversos órgãos. Entre os destinatários estão o Ministério Público; a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap); e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além das direções das unidades hospitalares envolvidas.
No documento, os profissionais detalham que a suspensão deve atingir tanto atendimentos quanto a realização de procedimentos, incluindo cirurgias eletivas. A medida tende a agravar ainda mais a situação da rede pública, especialmente nas regiões do interior.
Os médicos destacam que a sobrecarga já existente no sistema de saúde pode ser intensificada com a paralisação. A falta de profissionais em atividade deve comprometer o fluxo de pacientes e aumentar o tempo de espera por atendimentos especializados.
Nota da SESAP
Na tarde desta quinta-feira (23), a SESAP lançou uma nota se pronunciando. A Secrataria afirmou que está negociando o pagamento de uma parcela em aberto edestaca que não há contrato direto com esses profissionais, já que a contratação ocorre via prestadores junto ao município de Natal.
O Estado financia 60% dos recursos, Natal 35% e outros municípios 5%. Segundo a SESAP, apenas a competência de novembro está pendente, com previsão de solução até o fim de abril. O caso é acompanhado pelo Ministério Público do RN, e reuniões devem ocorrer para tentar um acordo.