Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 29/10/2025, às 14h15
O governo federal está em fase final em relação à elaboração de um conjunto de medidas para tornar mais simples e acessível a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além da redução das aulas práticas, a proposta também inclui a criação de cursos gratuitos, que poderão ser oferecidos de forma online ou em escolas públicas de todo o Brasil.
De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, as mudanças têm o objetivo de democratizar o acesso à habilitação e reduzir a informalidade no trânsito. O projeto também prevê a eliminação da obrigatoriedade de que as aulas sejam ministradas de maneira exclusiva por autoescolas, o que poderá abrir espaço para que alunos negociem diretamente com instrutores certificados.
Esses profissionais em questão poderão obter qualificação por meio de cursos oferecidos pelo Ministério dos Transportes ou pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).
As novas regras devem começar a valer ainda neste ano, após uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que está recebendo sugestões da sociedade em audiências públicas até o dia 2 de novembro.
De acordo com Renan Filho, o atual modelo de formação de condutores é caro, demorado e pouco acessível. Em algumas regiões do Brasil, os custos para tirar a CNH chegam a R$ 5 mil, com duração de até nove meses. Um levantamento do Ministério dos Transportes mostra que 54% dos donos de motocicletas cadastradas no país não possuem carteira de habilitação.
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O ministro também classificou o processo brasileiro como o mais caro da América do Sul. Ele citou que, para quem busca a categoria de carro e moto, o candidato precisa cumprir 85 horas de aula, sendo 45 teóricas e 40 práticas, antes de enfrentar as provas.
Uma das propostas avaliadas é permitir que escolas públicas ofereçam cursos preparatórios para o exame de habilitação. A ideia é integrar o ensino da legislação de trânsito, cidadania, direção defensiva e educação ambiental ao currículo escolar.
Renan Filho enfatizou que as autoescolas continuarão funcionando, mas perderão o monopólio da formação.
A proposta, no entanto, tem enfrentado resistência de proprietários de autoescolas, que alegam falta de diálogo com o governo. Renan Filho rebateu as críticas e garantiu que o debate está aberto. “As audiências públicas estão em andamento. O que incomoda alguns setores é a quebra de um modelo de mercado fechado, que encarece o serviço”, afirmou.
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