Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 04/09/2026, às 16h28
O trabalho realizado por detentos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz está contribuindo para a melhoria da infraestrutura urbana de Nísia Floresta. 19 ruas do bairro Hortigranjeira, localizado nas proximidades da unidade prisional, estão recebendo pavimentação com blocos de piso intertravado produzidos dentro da própria penitenciária, levando à urbanização de 100% da área.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria da Administração Penitenciária (SEAP) e a Prefeitura de Nísia Floresta. O acordo permite aproveitar os materiais fabricados em Alcaçuz na execução das obras municipais, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades de trabalho e qualificação profissional para os internos.
Além de contribuir para a melhoria das vias públicas, o projeto utiliza a atividade laboral desenvolvida dentro da unidade prisional como instrumento de capacitação e reintegração social, aproximando a produção realizada pelos internos de demandas concretas da comunidade.
A produção dos blocos começou a ser estruturada a partir de dois projetos de capacitação profissional desenvolvidos pela SEAP em parceria com o Tribunal de Justiça, o Ministério Público do Trabalho, o SENAI e a ONG Reforamar. Desde 2024, internos selecionados pela Comissão Técnica de Classificação (CTC) participam de atividades teóricas e práticas voltadas à fabricação e instalação dos materiais.
A formação inclui conhecimentos relacionados à construção civil, preparação de materiais e processo de cura do concreto. Para viabilizar a produção, a fábrica recebeu equipamentos da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), entre eles betoneiras e outras máquinas especializadas.
Com a expansão da iniciativa, foi criado um polo industrial dentro da penitenciária, aumentando a capacidade produtiva e as possibilidades de ocupação dos internos. Atualmente, 16 pessoas privadas de liberdade trabalham diretamente na fabricação dos blocos de concreto.
A atividade integra um conjunto maior de ações de trabalho desenvolvidas em Alcaçuz. Ao todo, cerca de 130 internos participam de outras atividades, como fabricação de esquadrias de alumínio, marcenaria, reciclagem, produção de terços e confecção de roupas, bolsas e mochilas.
A fábrica conta atualmente com duas unidades destinadas à produção de peças de concreto. Mais de 260 mil blocos já foram fabricados, sendo 61 mil destinados a obras em Nísia Floresta. Segundo a Prefeitura, o uso do material produzido na penitenciária pode representar uma economia de até 60% nos gastos municipais com a pavimentação.
Além do impacto imediato nas ruas do bairro Hortigranjeira, a proposta busca preparar os internos para o mercado de trabalho após o cumprimento das penas. A estratégia da SEAP considera a formação profissional e a experiência adquirida durante as atividades como ferramentas de reintegração social e de redução da reincidência criminal.
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