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Desigualdade salarial: salários de trabalhadores negros ainda ficam atrás

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Levantamento mostra a disparidade na remuneração de trabalhadores negros em estados brasileiros e destaca a persistência do racismo estrutural.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Freepik

Publicado em 25/11/2025, às 13h23   Nathalia Quiereguini



Os dados mais recentes mostram um retrato duro, mas necessário: o Nordeste reúne os quatro estados onde trabalhadores negros recebem os piores salários do país.

Paraíba, Piauí, Alagoas e Rio Grande do Norte registram uma média de apenas R$ 2.321 para profissionais pretos e pardos, enquanto pessoas brancas, nas mesmas regiões, chegam a R$ 3.161, uma diferença de 36%.

Segundo a Agência Tatu, a desigualdade não é um recorte isolado. Ela se repete em todas as regiões do Brasil. No cenário nacional, trabalhadores negros recebem em média R$ 3.075, enquanto trabalhadores brancos alcançam R$ 4.496, ampliando a discrepância para 46%.

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Estados com maiores diferenças salariais

Quando observamos o ranking das Unidades da Federação, o Distrito Federal aparece no topo da disparidade: os salários de trabalhadores brancos são 86,99% mais altos do que os de pretos e pardos.

Logo atrás, vêm Rio de Janeiro (49,85%) e Bahia (46,31%).

Esses números são construídos a partir das declarações oficiais dos empregadores registradas na RAIS e mostram, estado por estado, o quanto a renda dos trabalhadores negros fica atrás da dos brancos.

Desigualdade também no topo das profissões

Mesmo entre cargos de liderança, onde se espera maior valorização profissional, a desigualdade permanece , e aumenta.

Trabalhadores negros em postos de chefia recebem em média R$ 7.144, enquanto pessoas brancas chegam a R$ 12.319, diferença de 72%, a maior entre todas as categorias analisadas.

A construção histórica da desigualdade

Para a professora e pesquisadora Marli Araújo (UFAL), esses números refletem uma herança histórica que ainda estrutura o mercado de trabalho.

Segundo ela, o Nordeste carrega um estigma social de “atraso” e possui uma população majoritariamente negra, o que afeta diretamente seus indicadores econômicos.

Ela destaca que, no pós-abolição, pessoas negras não foram reconhecidas como parte da classe trabalhadora, devido a narrativas racistas que as associavam à preguiça ou desinteresse.

Esse processo foi agravado por políticas migratórias eugenistas, que favoreceram trabalhadores brancos no início do século XIX.

O papel do racismo estrutural

O ativista e pesquisador Jeamerson dos Santos reforça que a desigualdade salarial no Nordeste é fruto de relações de poder marcadas pela colonialidade.

Para ele, a equiparação só será possível quando o Estado assumir o enfrentamento direto do racismo estrutural.

Segundo Jeamerson, reparação econômica não é concessão, é reconhecimento da potência, contribuição e diversidade presentes na população negra, que sempre fez parte do desenvolvimento do país.

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